Imprensa estrangeira em Israel critica acusações contra fotojornalista
A Associação da Imprensa Estrangeira em Israel (FPA) condenou hoje as acusações divulgadas por media israelitas contra um fotojornalista da agência France-Presse (AFP), suspeito de conhecer antecipadamente um ataque na Cisjordânia ocupada.
Num comunicado, a associação, que representa centenas de jornalistas internacionais em Israel, na Cisjordânia e em Gaza, classificou as alegações como "perigosas e difamatórias", alertando para os riscos que representam para a segurança dos profissionais da comunicação social.
As acusações foram divulgadas pela televisão pública israelita Kan e pelo jornal Ynet, que citaram fontes militares anónimas para sugerir que o fotojornalista tinha conhecimento prévio do ataque ocorrido hoje perto de Hebron, na Cisjordânia ocupada.
Dois soldados israelitas foram mortos no ataque de hoje, no qual morreram também dois palestinianos suspeitos de dispararem contra os militares, anunciou hoje o exército israelita.
Segundo as forças israelitas, além dos dois soldados mortos, outros três sofreram ferimentos ligeiros durante um ataque de homens armados palestinianos.
"A FPA está profundamente alarmada com informações divulgadas pelos meios de comunicação social, que citam fontes militares anónimas e sugerem que um fotojornalista da AFP tinha conhecimento prévio do ataque ocorrido na sexta-feira em Hebron. Isto é totalmente falso", afirmou a organização.
A associação explicou que o repórter fotográfico é um profissional experiente, que se deslocava para realizar outro trabalho quando se deparou com o ataque.
"Trata-se de um profissional com uma longa carreira que se dirigia para outra reportagem e que, no exercício das suas funções, documentou aquilo a que assistiu", acrescentou a organização.
A FPA advertiu que as suspeitas divulgadas pelos meios de comunicação social israelitas não têm fundamento e podem colocar em perigo os jornalistas que trabalham na região.
"Qualquer insinuação em contrário é infundada, incendiária e coloca em perigo os jornalistas que trabalham para manter o mundo informado", sublinhou ainda a associação.
Segundo o jornal Ynet, as Forças de Defesa de Israel (FDI) irão analisar a versão apresentada pelo repórter para determinar se a sua presença no local foi fortuita ou se recebeu informações antecipadas sobre o ataque.
Na sequência do ataque, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou uma operação militar de grande escala na Cisjordânia ocupada, incluindo a retirada forçada de residentes palestinianos, buscas domiciliárias e destruição de infraestruturas consideradas terroristas pelas autoridades israelitas.
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