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IPCG alerta: empresas avançam na IA, mas não estão preparadas

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Minuto Fonte Externa
26 de outubro de 2026 • 5 min de leitura
IPCG alerta: empresas avançam na IA, mas não estão preparadas

O vice-presidente do IPCG afirma, em declarações à Lusa, que as grandes empresas portuguesas estão mais avançadas na adoção de IA, mas isso não significa que as administrações estejam preparadas para avaliar o seu valor e riscos.

 

A preparação dos conselhos de administração para os desafios da regulação e da inteligência artificial (IA) e o seu impacto vão estar hoje em debate na conferência do Instituto Português de Corporate Governance (IPCG) sob o tema "Competitividade, Inovação e Regulação na Europa", no CCB, em Lisboa.

Questionado sobre se as administrações das empresas portuguesas estão preparadas, José Costa Pinto afirma que a preparação é desigual.

"As grandes empresas estão mais avançadas na adoção de inteligência artificial, mas utilizar estas ferramentas não significa, por si só, que a administração esteja preparada para avaliar o seu valor e os seus riscos (...). O passo decisivo é passar da utilização pontual para a integração no negócio. Uma administração deve conseguir identificar onde a IA pode reduzir custos, melhorar o serviço ao cliente ou apoiar uma decisão de investimento, e verificar se esses resultados estão a ser alcançados", aponta o responsável.

"Não é necessário que todos os administradores sejam especialistas em tecnologia", porém, "é necessário que saibam questionar uma proposta, avaliar o investimento e perceber em que condições podem confiar nos resultados", acrescenta.

Assim, diz que o principal desafio da IA nas empresas portuguesas está nas competências e na capacidade de mudar a forma de trabalhar.

O acesso às ferramentas tornou-se mais fácil, mas a sua utilização, prossegue o vice-presidente do IPCG, "exige tempo, formação e informação organizada, recursos que escasseiam em muitas PME".

"Começaria por um problema concreto de uma PME, como o tempo gasto a preparar orçamentos ou a responder a pedidos de clientes. A partir daí, importa testar uma solução, formar quem a vai utilizar e medir se o trabalho ficou efetivamente melhor", exemplifica.

Neste sentido, diz que "poupar tempo numa tarefa é útil", mas que "esse ganho só chega ao negócio se permitir responder a mais clientes, reduzir custos ou libertar pessoas para trabalho de maior valor. Comprar licenças sem mudar processos dificilmente produz esse resultado".

Relativamente ao maior risco, indica que é confiar numa resposta sem a verificar.

"Uma ferramenta pode apresentar informação errada com uma linguagem muito convincente" e "se essa informação entrar num relatório financeiro, numa proposta comercial ou numa decisão sobre um trabalhador, o erro pode ter consequências sérias", adverte.

Na sua opinião, a administração "deve saber que ferramentas são utilizadas, que informação lhes é entregue e quem valida os resultados".

"Introduzir dados de clientes ou documentos confidenciais numa ferramenta sem conhecer as condições de utilização é um risco concreto", sublinha.

"É preciso definir quem pode autorizar cada utilização, quais as decisões que exigem revisão humana e quem pode suspender o sistema quando surgem problemas. A supervisão só existe se houver alguém com competência e autoridade para intervir", acrescenta.

Questionado sobre como é que Portugal compara com outros países da Europa, José Costa Pinto diz que, na adoção empresarial de IA, o país está abaixo da média europeia.

"A distância é particularmente relevante nas pequenas e médias empresas, embora as grandes também tenham caminho a percorrer", acrescenta.

O progresso em matéria de governo societário é importante, "mas não permite concluir" se há já preparação para esta transformação.

"Ter regras de governação e saber supervisionar o uso de IA são capacidades que têm de ser trabalhadas em conjunto", refere, defendendo que o desafio é fazer chegar às PME "formação aplicada, apoio técnico e soluções adequadas à sua dimensão".

Quanto ao principal conselho para as empresas portuguesas serem mais competitivas, o vice-presidente do IPCG diz que isso passa por trazer a IA para a agenda da administração e começarem por uma necessidade concreta do negócio.

"Escolham uma aplicação com resultados verificáveis, atribuam um responsável e definam um prazo para avaliar o investimento", aponta, o que inclui custos de formação, integração e verificação dos resultados, além do preço da ferramenta.

"Uma solução aparentemente barata pode sair cara se obrigar a corrigir trabalho ou expuser informação sensível. Depois, alarguem o que demonstrar valor. A competitividade mede-se na capacidade de produzir melhor, servir melhor os clientes e decidir com mais informação" e com esses resultados que a administração deve avaliar a utilização de IA, conclui.

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