Irão apela à unidade regional com Arábia Saudita, Paquistão e Turquia
O Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, apelou hoje à "unidade regional" durante um encontro em Teerão com responsáveis da Arábia Saudita, Paquistão e Turquia, três países que assinaram recentemente o chamado Pacto de Defesa de Meca.
"Espero que a presença nesta reunião de representantes de países islâmicos [...] influentes contribua para reforçar ainda mais a unidade e a coesão regionais", afirmou Pezeshkian citado num comunicado da Presidência, em que vem também um apelo aos três países para que "formem uma frente comum e aprovem uma posição coordenada".
Delegações de alto nível da Arábia Saudita, Paquistão e Turquia encontraram-se hoje em Teerão para reuniões com as autoridades iranianas, numa tentativa de evitar o recomeço dos combates na guerra no Irão, anunciou, por seu lado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano.
No comunicado, a diplomacia iraniana salientou que as conversações decorreram num contexto de crescente preocupação no Irão com a possibilidade de um regresso à guerra em larga escala.
Israel e Estados Unidos têm intensificado as ameaças antes das eleições nos dois países (israelitas na terça-feira e norte-americanos a 03 de novembro), enquanto os líderes iranianos mantêm uma posição de desafio.
O ministro da Defesa saudita, Khalid bin Salman, o diretor dos serviços de informações turcos, Ibrahim Kalin, e o chefe do Exército paquistanês, marechal-de-campo Asim Munir, reuniram-se com os principais responsáveis iranianos pela segurança e com negociadores, visando promover um acordo entre Teerão e Washington.
A guerra no Iémen e os ataques dos rebeldes huthis, apoiados pelo Irão, contra a Arábia Saudita também estiveram em cima da mesa, segundo dois responsáveis regionais que falaram sob anonimato à agência noticiosa norte-americana Associated Press (AP).
Ante do encontro, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghaei, disse aos jornalistas, em Teerão, que a agenda da reunião não estava definida, mas que as conversações iriam "abordar, sem dúvida, as ameaças mais prementes à segurança regional".
Foram nesse sentido, então, as palavras de Pezeshkian, em que sublinhou que o Irão apoia qualquer acordo que aprofunde a cooperação regional, resolva divergências e permita uma maior utilização dos recursos e das capacidades partilhados pelos países islâmicos.
Também num comunicado, a Arábia Saudita afirmou que as delegações esperavam encontrar "formas de reduzir as tensões, reforçar a segurança regional e promover a estabilidade da região".
Mediadores do Qatar também se deslocaram a Teerão no domingo, em coordenação com os Estados Unidos, no âmbito dos esforços para reduzir as tensões regionais, segundo um responsável qatari, que também solicitou anonimato.
O Paquistão e o Qatar ajudaram a negociar, em junho, um acordo destinado a garantir a reabertura integral do estreito de Ormuz à navegação por parte do Irão, pôr fim ao bloqueio norte-americano dos portos iranianos e iniciar negociações para um entendimento mais abrangente sobre o programa nuclear iraniano.
No entanto, o acordo desmoronou-se rapidamente, quando ambas as partes retomaram os ataques.
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