Irão executa três homens por alegada colaboração com Israel e EUA
A justiça iraniana anunciou hoje a execução de três homens condenados por terem agido em nome de Israel e dos Estados Unidos durante as manifestações antigovernamentais de janeiro, ONG denunciou o julgamento como injusto.
Segundo a organização Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, estas execuções por enforcamento ao amanhecer na cidade de Karaj, perto de Teerão, elevam para pelo menos 39 o número de homens executados na sequência das manifestações, reprimidas de forma sangrenta em janeiro.
"Tal como outros antes deles, Hassan Divband, Hamid Kazemi e Reza Zanganeh foram privados do seu direito a um processo regular e a um julgamento justo", denunciou o diretor da IHR, Mahmood Amiry Moghaddam.
"Centenas de outras pessoas, incluindo manifestantes e indivíduos detidos durante a guerra, correm o risco de serem condenadas à morte ou de verem as suas sentenças de morte executadas", acrescentou.
As três sentenças de morte "foram executadas esta manhã, após terem sido confirmadas pelo Supremo Tribunal", indicou a Mizan, o órgão de imprensa do poder judicial.
Segundo a agência, os três homens foram considerados culpados de terem participado em "atividades operacionais em nome do regime sionista israelita, dos Estados Unidos e de grupos hostis" durante os protestos inicialmente desencadeados no final de dezembro de 2025 pelo aumento do custo de vida.
O poder judicial acusa-os de terem fabricado e utilizado granadas e 'cocktails molotov', transportado e utilizado armas brancas e de fogo, e incendiado infraestruturas públicas em Karaj, a oeste de Teerão.
Esta cidade satélite da capital foi palco de intensos protestos entre dezembro e janeiro, com imagens publicadas nas redes sociais a mostrarem habitantes a entoar 'slogans' contra as autoridades nas ruas.
Segundo a ONG Hengaw, também sediada na Noruega, a alegação de que Reza Zanganeh, de 27 anos, mecânico especializado em automóveis estrangeiros, teria colaborado com Israel «baseava-se exclusivamente nas suas atividades profissionais e nas suas viagens anteriores relacionadas com o trabalho».
Segundo a Amnistia Internacional, o Irão é o segundo país do mundo com mais execuções, a seguir à China.
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