Kallas acusa EUA de pressionarem Kyiv a "render-se nos termos de Putin"
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, acusou hoje os Estados Unidos de pressionarem a Ucrânia a "render-se nos termos de [Vladimir] Putin" e capitular em condições exclusivamente favoráveis ao Presidente russo.
"Os negociadores norte-americanos têm tentado levar a Ucrânia à rendição há quase dois anos", frisou Kaja Kallas, citada pela rede televisiva europeia Euronews que lembra as tensões crescentes entre a União Europeia (UE) e os EUA.
A alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança referiu hoje no Parlamento Europeu que "a razão pela qual a Ucrânia não se rendeu nos termos de Putin é que a Europa tem apoiado a Ucrânia".
Kallas defendeu ainda que a presença europeia à mesa das negociações é necessária para equilibrar as posições adotadas pela Casa Branca, que se têm inclinado cada vez mais para os interesses de Moscovo.
A Euronews lembrou também que as relações entre os EUA e a Europa deterioraram-se desde que o Presidente norte-americano, Donald Trump, assinou um acordo de fornecimento de gasóleo com Putin e flexibilizou sanções até abril de 2027, sem obter, em contrapartida, qualquer concessão por parte da Rússia.
Trump defendeu a realização de novas eleições na Ucrânia, algo vedado durante o período de guerra, e queixou-se de que o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, é "mais difícil de lidar" do que Putin.
Zelensky, por sua vez, declarou sentir-se traído por Trump.
Kallas alertou para estes desenvolvimentos no seu discurso no parlamento, em Estrasburgo, onde vários eurodeputados criticaram a alegada ausência de uma estratégia de paz por parte da Europa.
"Isso não é verdade", contrapôs Kallas, referindo-se a um documento que apresentou aos Estados-membros da UE, contendo exigências que a Europa deveria esperar que Moscovo cumprisse num eventual acordo.
"Se a Rússia apresenta as suas exigências e exigências maximalistas, nós devemos colocar as nossas próprias exigências máximas na mesa para equilibrar essas negociações. Além disso, é preciso enviar uma mensagem clara à Rússia: para tudo aquilo que lhes interessa, como o levantamento de sanções, a Europa precisa estar presente à mesa, uma vez que se tratam de decisões europeias", salientou.
"Não estamos a abdicar destas coisas gratuitamente, pois o objetivo não é apenas alcançar a paz, mas garantir que essa paz seja duradoura e justa", acrescentou.
Kallas acusou também a Rússia de pôr em risco a segurança do mar Negro através de um bloqueio armado, utilizando o fornecimento de alimentos como arma e tentando provocar uma fome à escala global.
A Roménia e a Bulgária reportaram, recentemente, ataques de drones russos nas proximidades das suas águas territoriais.
A alta representante criticou ainda Moscovo por recusar uma trégua no setor energético e por intensificar a sua campanha de bombardeamentos contra a Ucrânia nas vésperas do Inverno.
Kallas tem sido uma das vozes mais contundentes na Europa a criticar a aproximação de Trump a Moscovo e, na semana passada, denunciou à Euronews que o acordo sobre o gasóleo representava um presente para Putin.
Rússia rejeita fazer concessões políticas em acordo de paz com UcrâniaO ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, afirmou que Moscovo rejeita fazer concessões políticas em qualquer proposta de paz com a Ucrânia, apesar de analisar a proposta norte-americana apresentada pelo emissário Steve Witkoff.
Lusa | 23:35 - 20/10/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
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