Lula e Flávio discutem corrupção e segurança no último debate eleitoral
Lula da Silva defendeu o legado dos seus governos e Flávio Bolsonaro apostou na segurança e no custo de vida no último debate antes das presidenciais brasileiras de domingo, marcado por acusações de corrupção.
No encontro promovido pela TV Globo, no Rio de Janeiro, o Presidente e candidato à reeleição destacou os investimentos públicos e os aumentos do salário mínimo, enquanto o senador responsabilizou o Governo pelo endividamento das famílias e prometeu endurecer o combate à criminalidade.
Este foi o segundo e último embate entre os dois que vão a eleições no domingo para Presidente do Brasil, num debate mais centrado em propostas do que o anterior, promovido pela Band em 18 de outubro, que, apesar de vários ataques duros entre os dois foi favorecido por um formato que orientou a discussão para temas concretos e problemas das diferentes regiões do país.
"O brasileiro antes parcelava um fogão, parcelava um micro-ondas, parcelava a geladeira, agora parcelam o que tem dentro da geladeira", atacou Flávio.
Lula respondeu com os programas de renegociação de dívidas e o combate às plataformas de apostas online, que acusou de consumir dinheiro destinado à alimentação das famílias.
Uma provocação sobre o dedo que Lula perdeu num acidente de trabalho elevou a tensão depois de Flávio dizer: "dá com uma mão e tira com os nove dedos".
"Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos", respondeu Lula, que perdeu o dedo mínimo da mão esquerda numa prensa, quando trabalhava numa metalúrgica de São Paulo, aos 17 anos.
"Se eu te ofendi, te peço desculpas, de verdade", declarou Flávio, acrescentando que Lula deveria pedir desculpa aos brasileiros pelo seu Governo.
A segurança motivou outro confronto duro, quando Lula questionou Flávio pelo apoio e pela defesa pública do polícia acusado de matar Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, em 2021, no Rio de Janeiro.
A mãe da criança assistia ao debate na primeira fila, ao lado de Geraldo Alckmin, vice de Lula.
Flávio dirigiu-se à mãe para manifestar solidariedade, mas reiterou a confiança na inocência do polícia, sustentando que a morte ocorreu durante uma troca de tiros numa comunidade dominada pelo tráfico.
"Eu quero ajudar a senhora, inclusive, a saber quem foi o autor desse disparo", afirmou, antes de prometer classificar organizações criminosas como terroristas.
No último bloco, de confronto livre, as acusações intensificaram-se: Lula questionou o alegado envolvimento de Flávio numa disputa pela propriedade de uma ilha reivindicada pelo futebolista Richarlison e as suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, associado ao financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro.
O filho mais velho de Jair Bolsonaro atacou insinuando que Lula recebeu um uísque de Daniel Vorcaro avaliado em 500 mil reais.
"Mentira, mentira e mentira. É a única coisa que esse rapaz sabe fazer", respondeu Lula, afirmando ter entregue documentação patrimonial à Justiça Eleitoral e desafiando o adversário a fazer o mesmo.
Nas considerações finais, Lula disse: "Ou a gente mantém a democracia funcionando ou a gente vai ter um miliciano governando esse país".
Por outro lado, Flávio encerrou prometendo recuperar o poder de compra e defender a liberdade e a segurança. "A sua vida melhorou ou piorou nos últimos quatro anos?", perguntou, antes de pedir o voto e apelar aos espetadores para que rezassem um Pai-Nosso.
Brasil decide, no domingo, quem será o próximo Presidente do maior país lusófono e da América Latina, numa luta entre o atual chefe de Estado, Lula da Silva, e o senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho de Jair.
Os dois estão tecnicamente empatados nas sondagens, uma imagem de um país dividido ao meio.
O filho de Bolsonaro conseguiu na primeira volta, em 04 de outubro, uma vantagem de dois pontos percentuais sobre Lula da Silva e perfila-se como favorito na reta final da campanha para as eleições de 25 de outubro.
Lula e Flávio encerram campanha nos maiores círculos eleitorais do BrasilOs candidatos à presidência brasileira Lula da Silva e Flávio Bolsonaro concentram hoje as ações de campanha nos maiores círculos eleitorais do país, numa tentativa de conquistar votos na véspera da segunda volta das eleições.
Lusa | 06:14 - 24/10/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
Todos os direitos autorais e de propriedade intelectual pertencem ao veículo de origem. Leia a matéria completa na fonte original
Leia Também
Ver todas as notícias →Comentários (0)
Nenhum comentário publicado ainda.
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião sobre esta matéria!
Deixe seu comentário
Seu e-mail não será divulgado publicamente. Comentários passam por moderação antes da publicação.