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Mais de 100 pessoas em Faro criticam autoritarismo e ataques

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Minuto Fonte Externa
25 de outubro de 2026 • 5 min de leitura
Mais de 100 pessoas em Faro criticam autoritarismo e ataques

Mais de 100 pessoas concentraram-se hoje em Faro em protesto contra a ação das autoridades durante a madrugada nas acampadas de Lisboa e Porto em defesa da habitação, criticando o autoritarismo evidenciado pela polícia no ataque aos manifestantes.

 

"O Brasil está a votar para manter a democracia, hoje roubaram-nos a nossa", ou "Não vais ter casa, não vais ter guita, apenas repressão infinita", lia-se em tarjas empunhadas pelos manifestantes, que se juntaram na Praça da Liberdade, em frente à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, a partir das 17:00.

"A repressão policial em si não foi novidade nem surpresa, porque ela já existiu em momentos anteriores das acampadas. O que é inadmissível foi a polícia vir ainda com mais força, com cães, e de uma forma concertada atacar os manifestantes no Porto e em Lisboa", declarou à Lusa Filipa Alves, durante a concentração solidária e pacífica realizada hoje na capital algarvia.

Admitindo que a mobilização "é muito diferente nesta zona do país, apesar de os problemas com a habitação serem enormes", Filipa Alves acrescentou que as pessoas "estão muito adormecidas ou muito desinteressadas, cada uma no seu canto", cenário que disse ser necessário combater.

Em Faro, já decorreram vários protestos e manifestações, mas ainda não houve montagem de tendas desde o início dos protestos a nível nacional.

Às 16:30, meia hora antes do horário agendado para o início da concentração, já decorria a poucos metros da sede da CCDR/Algarve uma assembleia popular com cerca de duas dezenas de pessoas, promovida pela Acampada de Faro, constatou a Lusa no local.

Os manifestantes votavam algumas propostas de medidas de ocupação, habitação, apoio social e custo de vida, que tinham sido discutidas nas assembleias populares realizadas nos últimos dias, especialmente no sábado e hoje, explicou um dos ativistas envolvidos.

Aos poucos, dezenas de pessoas começaram a dirigir-se para o passeio mais próximo da CCDR/Algarve, fixando-se atrás de baias colocadas dias antes pela polícia, mas o protesto só se intensificou ao cabo de meia hora, já com mais de uma centena no local.

Após uma ativista ter lido um texto de "A Passarada", o "jornal autónomo da acampada" distribuído em forma de panfleto aos presentes, começaram a ser entoados cânticos, ao som de fundo de uma gaita de foles.

"Montenegro, presta atenção, as tuas casas vão virar ocupação", "Queremos casas para morar, e não para especular", "Menos bastão, mais habitação", gritou-se à vez, durante cerca de uma hora.

Afonso Coelho juntou-se à manifestação frisando, à Lusa, que "isto hoje já não é sobre habitação, é a defesa da liberdade e da democracia" perante um problema, a falta de habitação, que está a criar "uma sociedade desigual".

"Estamos a ver que o autoritarismo é a resposta a essa sociedade desigual. As pessoas que estão aqui ficaram chocadas com o que se passou ontem à noite [madrugada de hoje]. Estamos a levar da polícia todos os dias quando estamos a defender um direito básico", criticou.

A desmobilização começou a acontecer cerca das 18:30, com um dos membros da Acampada de Faro a convidar os cidadãos presentes para integrarem os grupos de trabalho já formados nas assembleias populares.

A concentração de hoje foi marcada pelo movimento Algarve em Resistência, um grupo de coletivos que tem promovido manifestações pelo direito à habitação na região.

Durante a manhã, o coletivo já havia condenado, em comunicado, a "repressão policial" contra as acampadas de Lisboa e Porto durante a madrugada, sublinhando que, perante manifestações pacíficas, "a resposta do Estado foi o bastão".

A PSP dispersou hoje de madrugada, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.

Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.

Segundo a PSP, registaram-se, no total, 33 feridos, 27 em Lisboa e seis no Porto, e 31 detidos por desobediência (25 em Lisboa e seis no Porto).

Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.

AO MINUTO: Personalidades exigem ação de Seguro; 27 feridos em Lisboa

Acompanhe aqui AO MINUTO os desenvolvimentos nos protestos contra a crise da habitação.

Notícias ao Minuto | 07:43 - 25/10/2026

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