Manifestação em Barcelona mantém-se ativa apesar de fim em Madrid
A acampada em Barcelona pelo direito à habitação, instalada há mais de um mês na Praça Catalunha, mantém-se ativa, apesar de as autoridades terem desmantelado, hoje de manhã, o acampamento na Porta do Sol, em Madrid.
"A Catalunha resiste, não vai abandonar o seu acampamento", explicou a porta-voz da manifestação nesta cidade, Kiara Monrroy, em declarações à agência de notícias espanhola EFE.
A acampada de Barcelona foi montada a 29 de setembro e, atualmente, cerca de 500 tendas, segundo os organizadores, ocupam praticamente todo o espaço central da praça, onde os manifestantes partilham as responsabilidades de cozinhar, prestar primeiros socorros, manter a comunicação, gerir os materiais doados e organizar atividades.
Nos últimos dias, os acampados distanciaram-se completamente das manifestações do movimento "Blocus", que consistem numa onda de protestos de caráter violento e distúrbios coordenados, que têm colocado várias polícias europeias em alerta máximo, nomeadamente em Espanha e França.
Este movimento causou vários distúrbios em Barcelona, mas a organização dos "acampados" na Praça da Catalunha reafirmou o seu compromisso com uma "manifestação pacífica", denunciando ter recebido "ameaças de grupos fascistas e de extrema-direita que usam a violência".
Segundo a porta-voz, os manifestantes acampados em Barcelona pretendem permanecer na Praça Catalunha pelo menos até às eleições legislativas, que foram antecipadas para 29 de novembro.
Embora este seja o objetivo, a organização não descartou uma prorrogação da data para deixar o local.
"Que fique claro: se pretenderem ou chegarem a conseguir expulsar-nos, voltaremos a ocupar qualquer praça, espaço ou edifício público ou privado", concluiu o porta-voz.
As acampadas pelo direito à habitação em Espanha (conhecidas também como Movimento 26S) transformaram-se num dos maiores fenómenos de desobediência civil e contestação social dos últimos anos, à semelhança do movimento 15-M de 2011, que juntou os indignados com a crise financeira de 2008.
O movimento teve início formal no final de setembro, motivado por uma onda de indignação face à crise imobiliária, e cresceu exponencialmente na sequência do despejo forçado e posterior morte de Maricarmen Abascal, uma idosa de 87 anos que vivia há sete décadas na mesma casa arrendada em Madrid e cujo imóvel foi comprado por um fundo de investimento.
Após uma manifestação convocada pelo Sindicato de Inquilinos, que reuniu milhares de pessoas, centenas de manifestantes decidiram não abandonar as ruas e montaram as primeiras tendas de campanha na Praça do Sol, no centro de Madrid, mas os protestos acabaram por se espalhar por várias cidades.
Leia Também: Manifestantes denunciam violência policial na expulsão da Porta do Sol
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