Mar imenso e falta de meios: Como narcotráfico desafia a costa portuguesa
Nas praias e recortes da costa portuguesa, principalmente no Algarve e Alentejo, o cenário tem-se repetido com frequência ao longo dos últimos meses: embarcações de alta velocidade (EAV) detetadas nas águas portuguesas, abandonadas no areal, potentes motores ocultados na vegetação, centenas de jerricãs de combustível, droga. Toneladas de droga.
Desde o início do ano que esta atividade criminosa parece ter sofrido um incremento, a analisar pela quantidade de operações que têm sido notícia, uma perceção confirmada com números concretos.
Ao Notícias ao Minuto, a Polícia Marítima e a Guarda Nacional Republicana (GNR), revelam que desde que 2026 começou apreenderam mais de 30 toneladas de estupefaciente, intercetaram cerca de 50 embarcações ligadas ao narcotráfico, confiscaram mais de 200 mil litros de combustível e detiveram mais de 70 suspeitos ligados a este negócio ilícito.
Um aumento que reflete, segundo a Polícia Marítima, essencialmente, dois fatores: "pressão exercida pelas organizações criminosas transnacionais, que procuram utilizar a costa portuguesa como plataforma logística, designadamente para o abastecimento de combustível, a trasfega de carga e o apoio a embarcações que operam ao largo"; e o "reforço da vigilância, da fiscalização e da cooperação entre a PM, a Marinha Portuguesa, a Força Aérea Portuguesa (FAP), a GNR e a Polícia Judiciária (PJ)".
Destaca ainda esta autoridade que a "troca de informações com congéneres estrangeiras e com organismos internacionais de cooperação policial melhorou a capacidade de antecipar movimentos" criminosos, assim como a "colaboração dos cidadãos".
"As comunidades costeiras têm tido um papel relevante, e várias apreensões recentes resultaram de denúncias", nota a PM.
Por sua vez, a GNR não consegue estabelecer uma "ligação direta entre os resultados registados e um aumento global da utilização da costa nacional pelas redes de narcotráfico". Contudo, verifica um "reforço da capacidade de vigilância, controlo e interseção da Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras (UCCF), que se tem traduzido num aumento da atividade operacional associada à deteção deste fenómeno, designadamente ao nível das apreensões, detenções e identificação de situações relacionadas com o transbordo de estupefacientes do mar para terra, bem como com o apoio logístico prestado a partir de terra, nomeadamente através do fornecimento de combustível e víveres às embarcações".
Da posição geográfica estratégica ao aperto do cerco em EspanhaO litoral, assim como os Açores e a Madeira, sempre foram atraentes para as redes de narcotráfico devido à posição geográfica "estratégica" de Portugal, que fica localizado "no cruzamento das rotas que ligam a América do Sul e o Norte de África ao mercado europeu".
Uma sedução que subiu de tom nos últimos tempos devido a vários aspetos, entre os quais os "níveis elevados de produção e de fluxo de cocaína destinada à Europa, o que aumenta a atividade logística associada", e o facto de Espanha ter endurecido as leis quanto a este tipo de crime.
O país vizinho não só criminaliza agora o chamado "Petaqueo" - atividade de quem fornece, transporta ou armazena bidões de combustível para os grupos criminosos - como apertou o cerco à zona do Estreito de Gibraltar e do rio Guadalquivir.
Perante isso, as redes criminosas viram-se forçadas a reorganizar as suas rotas. "O reforço da ação repressiva e do enquadramento legal em Espanha levou parte destas estruturas a transferir a sua atividade para águas e território nacionais, em especial para o Algarve e a costa alentejana", confirma a Polícia Marítima (PM) ao Notícias ao Minuto.
A costa nacional passou assim a ser utilizada não apenas como ponto de desembarque de estupefacientes, como também como plataforma logística, ou seja, um local para abastecer combustível, trocar tripulações, fazer a trasfega de carga em alto mar e ocultar equipamentos em terra.
Mudança na lei permite ação mais musculadaAlém dos aspetos enumerados acima, as autoridades admitem que o número de operações de combate ao tráfico de droga por via marítima também aumentou nos últimos meses devido a uma alteração na lei portuguesa.
Até fevereiro deste ano, as forças de segurança portuguesas enfrentavam um obstáculo legal de mãos atadas. Se intercetassem uma narcolancha no mar ou na praia, cheia de combustível mas sem droga a bordo, a legislação não permitia a sua apreensão. Ficavam limitadas a aplicar contraordenações administrativas de navegação ou registo.
Essa assimetria legal em relação a Espanha tornou a costa portuguesa particularmente atrativa para a logística do crime organizado.
"As EAV usadas em atividades ilícitas. A posse, o transporte ou a permanência destas embarcações em águas nacionais, quando desacompanhados de produto estupefaciente, não constituíam, por si só, ilícito. As autoridades ficavam, assim, limitadas, na generalidade dos casos, a atuar por via de infrações administrativas de natureza do registo ou de segurança marítima. Essa lacuna contrastava com o enquadramento já adotado noutros Estados vizinhos, em especial em Espanha. Na perspetiva operacional, a diferença entre os dois regimes contribuiu para que a costa portuguesa se tornasse mais atrativa para as redes criminosas, sobretudo como zona de apoio logístico", explica a Polícia Marítima.
No entanto, o cenário mudou em 16 de fevereiro deste ano, com a entrada em vigor do Decreto-Lei n.º 43/2026. "Veio responder a esta factualidade. Ao estabelecer o regime sancionatório aplicável às EAV, permite hoje a sua apreensão e a responsabilização de quem as detém ou utiliza fora das condições legalmente previstas, independentemente de ser encontrado produto estupefaciente a bordo", destaca a mesma autoridade, revelando que "já aplicou este regime em diversas situações, com resultados positivos"
Por outro lado, sublinha a PM que "o combate a este fenómeno não depende apenas da lei. Depende igualmente dos meios humanos e materiais disponíveis, da coordenação entre as diferentes forças e serviços e da cooperação internacional, domínios em que o esforço tem de ser contínuo".
Narcolanchas fabricadas em PortugalApesar disso, há quem defenda que a legislação sobre as embarcações de alta velocidade (EAV) – semirrígidas, com 10 a 15 metros, equipadas com vários motores de elevadíssima potência - deve ser ainda mais ajustada.
Recentemente, uma reportagem do The Wall Street Journal revelou que as principais organizações criminosas de tráfico de cocaína que operam da América Latina para a Europa escolheram Portugal para a produção das denominadas narcolanchas. Segundo o jornal norte-americano, estas lanchas são secretamente construídas em armazéns ilegais em território nacional e depois de estarem operacionais acabam por ser enviadas para Espanha no interior de camiões ou atravessando os rios entre os dois países ibéricos.
Apesar de grande parte serem construídas em estruturas clandestinas, tudo começará de forma legal, como noticiou, por sua vez, o jornal Expresso, no início do mês de outubro.
Os cascos das lanchas são fabricados por empresas do ramo, muitas delas sediadas no Minho, e transportados, posteriormente, pelos traficantes para os denominados "armazéns intermédios", espalhados um pouco por todo o país, alguns dos quais já referenciados pela Polícia Judiciária (PJ).
Nestes armazéns, as redes têm equipas especiais que transformam estas embarcações em narcolanchas cada vez mais sofistificadas. Colocam três ou quatro motores potentes e robustos, de 300 ou 400 cavalos, e instalam sistemas de comunicação via satélite Starlink que permitem conversas encriptadas no meio do oceano, assim como sistemas de GPS que incluem gráficos extremamente rápidos, mapas pormenorizados e funcionalidades de navegação avançadas.
Noutros casos, contou ainda o semanário, as organizações criminosas chegam a adquirir as empresas que constroem os cascos, de modo a controlar todo o processo de produção. Sobre este assunto, nenhuma das autoridades contactadas pelo Notícias ao Minuto quis falar.
Secar a logística do tráficoNas fotos e vídeos revelados pela PJ, GNR e Autoridade Marítima Nacional (AMN) das mais recentes operações de combate ao narcotráfico em Portugal há um cenário que sobressaí. Os jerricãs de combustível. São sempre dezenas e às vezes centenas.
Sobre este fenómeno, a Polícia Marítima garante que "não há qualquer relação" com a atual conjuntura ou crise energética. Não se trata de tráfico de combustível.
O transporte em massa de gasolina é uma componente estrutural e indispensável do narcotráfico.
Cerca de 100 jerricãs encontrados junto a porto de praia de Torres VedrasCerca de 100 jerricãs com aproximadamente dois mil litros de gasolina foram encontrados hoje de madrugada junto ao porto de pesca da praia da Assenta, em São Pedro da Cadeira, no concelho de Torres Vedras, no distrito de Lisboa, segundo informação da GNR.
Lusa | 12:46 - 19/10/2026"O transporte e armazenamento de grandes quantidades de combustível, habitualmente em jerricãs, é uma componente estrutural e já conhecida da logística das organizações de tráfico de estupefacientes por via marítima. Não se trata de um fenómeno recente, nem de um fenómeno conjuntural", assegura a autoridade, lembrando que as embarcações de alta velocidade estão "equipadas com vários motores de elevada potência e têm consumos muito elevados".
Uma vez que estas lanchas, equipadas com vários motores de elevadíssima potência - o que faz com que consumam centenas de litros de combustível por cada hora de viagem - "permanecem frequentemente no mar durante dias ou semanas, à espera de receber ou transferir cargas, precisamente para evitar a aproximação à costa e a deteção pelas autoridades", "as organizações criminosas montam redes de abastecimento" para garantir essa autonomia.
"O combustível é adquirido em terra, armazenado em locais dissimulados e depois transportado até às embarcações por meios de apoio. Esta prática é também conhecida noutros países e é designada, em Espanha, por ‘petaqueo’", detalha a Polícia Marítima.
A apreensão de combustível é assim "um golpe duro" na operação dos traficantes, uma vez que, sem combustível, as embarcações ficam sem capacidade de operar e os traficantes não conseguem cumprir o objetivo.
Sobre a origem da desmedida quantidade de combustível, as autoridades com quem o Notícias ao Minuto falou não quiseram adiantar mais pormenores, uma vez é uma "matéria de investigação criminal, conduzida sob a direção do Ministério Público (MP)".
Das narcolanchas aos barcos de pesca, veleiros e de apoioAlém das narcolanchas, que atingem "velocidades muito superiores às comuns e têm grande capacidade de carga, sendo usadas para transportar estupefacientes, sobretudo haxixe e cocaína, e para recolher cargas transferidas de navios que operam ao largo", as redes criminosas contam com toda uma estrutura organizada que inclui também veículos terrestres. Na água, há (pelo menos) mais dois tipos de embarcações a que as autoridades estão atentas:
- Embarcações de apoio logístico: de menor dimensão, frequentemente semirrígidas, usadas para abastecer de combustível, víveres e tripulantes as EAV que permanecem no mar durante longos períodos. Estão associadas à apreensão de grandes quantidades de combustível, acondicionado em jerricãs, bem como de motores e outro material de suporte, muitas vezes ocultados em zonas costeiras, rios ou margens de difícil acesso; Estas redes recorrem, entre outros meios, a embarcações de alta velocidade (EAV), frequentemente articuladas com embarcações de diferentes tipologias e com estruturas de apoio logístico em terra, procurando efetuar as aproximações à costa de forma rápida e discreta.
- Embarcações de recreio e embarcações de pesca: veleiros e embarcações de pesca são, por vezes, utilizadas para dissimular o transporte de estupefacientes ou para servir de apoio a outras embarcações, procurando confundir-se com o tráfego marítimo legítimo.
E quando as autoridades apanham este tipo de veículos, recorda a Polícia Marítima, não é só a embarcação que é apreendida. "Em todos os casos, a apreensão abrange não apenas a embarcação, mas também os motores, os sistemas de navegação e comunicação, o combustível e demais equipamentos. Esses bens ficam à ordem da autoridade judiciária competente, para efeitos de prova e de eventual perda a favor do Estado".
Para onde vai o combustível apreendido?Sobre o combustível apreendido, a GNR revela ao Notícias ao Minuto que este não é normalmente destruído: "Sempre que estejam reunidas as condições legais e técnicas necessárias e exista determinação da autoridade competente nesse sentido, o combustível apreendido poderá ser reutilizado, designadamente pela GNR ou por outras entidades de interesse público, como corpos de bombeiros".
"Quando essas condições não possam ser asseguradas, poderá ser determinada a sua destruição, de acordo com os procedimentos legalmente aplicáveis", evidenciam os militares, lembrando que "os bens apreendidos no âmbito de processos criminais ficam sujeitos ao enquadramento legal aplicável e às determinações das autoridades judiciárias competentes".
Os detidos, as redes e os cérebros das organizações criminosasSobre os suspeitos detidos - frequentemente de nacionalidade estrangeira -, as autoridades fazem sobressair que a presença de cidadãos de várias origens se deve à própria natureza das redes.
"A presença de cidadãos estrangeiros explica-se pela própria natureza transnacional do fenómeno. As organizações que usam a costa portuguesa operam em rede, em vários países, e recrutam pessoas em diferentes territórios, consoante as necessidades logísticas. Não existe, contudo, uma nacionalidade exclusiva, e têm também sido identificados cidadãos nacionais".
Nem a GNR nem a AMN quiseram avançar com dados sobre os perfis dos detidos, uma vez que "a investigação do tráfico internacional de estupefacientes constitui competência reservada da Polícia Judiciária (PJ), nos termos da Lei de Organização da Investigação Criminal (LOIC)". O Notícias ao Minuto também entrou em contacto com esta autoridade para esclarecer estas e outras questões mas não foi possível em tempo útil.
O que foi possível apurar, no âmbito das competências da GNR, designadamente através da Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras (UCCF), é "que as redes associadas à criminalidade transfronteiriça por via marítima apresentam um elevado grau de organização e uma forte dimensão transnacional, recorrendo a cadeias logísticas complexas e adaptando permanentemente os seus métodos de atuação, percursos e meios utilizados, com o objetivo de dificultar a deteção e a atuação das autoridades".
Já a Polícia Marítima evidencia que "os indivíduos intercetados no mar ou na orla costeira ocupam, em regra, os níveis operacionais mais baixos destas estruturas. São tripulantes e condutores de embarcações, elementos encarregados do abastecimento de combustível, da vigilância ou do transporte de material de apoio. Muitos têm conhecimentos e experiência de navegação, e alguns são recrutados especificamente para uma operação, mediante contrapartida financeira".
Os líderes, investidores e cérebros destas organizações criminosas raramente vão ao terreno. "Os responsáveis pelo financiamento, pela organização e pela direção destas atividades raramente estão presentes nas operações no terreno. A sua identificação é precisamente um dos objetivos centrais da investigação criminal, conduzida pela PJ sob a direção do Ministério Público (MP)", dizem.
Negócio ilícito milionário. 1 kg de cocaína chega a valer 50 mil eurosApesar de ser um negócio ilícito, perigoso e mortal, é atrativo para muitos géneros de pessoas por ser muitas vezes sinónimo do chamado ‘dinheiro fácil’.
Quem transporta a carga, segundo uma reportagem emitida recentemente pela SIC, pode receber cerca de 3 mil euros. E o preço dispara à medida que a droga avança na cadeia. 1 kg de haxixe ronda os mil euros, 1 kg de cocaína começa nos 36 mil euros e pode chegar aos 50 mil.
Em declarações à SIC, o diretor da Unidade de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da Polícia Judiciária (PJ), João Oliveira, confirma que "nunca tanta cocaína foi apreendida" em Portugal, nem "nunca tantas embarcações de alta velocidade foram detetadas e apreendidas como nos últimos tempos".
Sobre as drogas mais apreendidas por cá – haxixe e cocaína – apesar de não querer "detalhar rotas, locais ou áreas concretas atualmente objeto de acompanhamento operacional", para não prejudicar as investigações, a GNR revela ao Notícias ao Minuto que, "em termos gerais, os fluxos marítimos de cocaína com destino ao continente europeu têm origem predominantemente na América do Sul, enquanto o haxixe transportado por via marítima tem, em grande medida, origem no Norte de África".
As 'contas' do combate ao narcotráfico em 2026Os números cedidos pela GNR e Polícia Marítima ao Notícias ao Minuto demonstram a dimensão das operações realizadas desde janeiro de 2026:
A GNR realizou "mais de 90 abordagens com sucesso, deteve 35 pessoas e identifioou mais de 170 pessoas, algumas das quais constituídas arguidas". No mesmo período, foram apreendidas 49 viaturas, 36 embarcações, mais de 23.000 quilogramas de haxixe e cerca de 4.300 quilogramas de cocaína, para além de outros bens e produtos associados ao apoio logístico destas atividades ilícitas. Foram ainda apreendidos 4 805 jerricãs, contendo um total de 115.192 litros de combustível, no âmbito de operações relacionadas com este fenómeno criminal.
Por sua vez, a Polícia Marítima (PM) apreendeu 17 embarcações de alta velocidade, mais de 90 toneladas de combustível, cerca de uma tonelada de haxixe e cinco toneladas de cocaína. Deteve 37 suspeitos. Entre os bens apreendidos há ainda embarcações de apoio, motores e reservatórios de combustível.
Números do Narcotráfico em Portugal (2026)© Notícias ao Minuto
O desafio dos meios e o combate numa costa extensaApesar do sucesso de muitas das operações de combate ao narcotráfico realizadas este ano, algumas vozes já se ergueram para falar da escassez de meios para vigiar a vasta costa portuguesa, algo que nem a GNR nem a Autoridade Marítima Nacional (AMN) contrariam em entrevista ao Notícias ao Minuto.
A GNR, que assegura este combate através da Unidade de Controlo Costeiro e Fronteiras (UCCF), salienta que "a extensa dimensão da costa e dos espaços marítimos sob responsabilidade nacional, conjugada com a elevada mobilidade e velocidade das embarcações utilizadas por estas redes, a crescente sofisticação das respetivas estruturas logísticas e a permanente adaptação dos seus métodos de atuação, constituem dos principais desafios enfrentados pela Guarda no combate a este fenómeno".
"A estes fatores acresce a natureza essencialmente transnacional desta criminalidade, que exige uma resposta assente não apenas na capacidade de vigilância, deteção e interseção, mas também numa estreita articulação e partilha de informação entre as diferentes entidades nacionais e internacionais", descrevem os militares, sublinhando que "perante esta realidade, a UCCF tem vindo a adaptar continuamente os seus dispositivos, capacidades e procedimentos operacionais à evolução das ameaças identificadas, procurando reforçar a eficácia da prevenção e repressão da criminalidade transfronteiriça por via marítima".
Na mesma linha, a AMN defende que "o combate ao tráfico de estupefacientes por via marítima é, por natureza, um desafio exigente e em permanente evolução. Obriga todas as entidades do Estado com responsabilidades nesta matéria a uma adaptação contínua de meios, métodos e procedimentos. A definição e a afetação de recursos são matérias que se inserem no planeamento da Autoridade Marítima Nacional e da tutela, e que são objeto de avaliação e ajustamento permanentes, em função das necessidades operacionais identificadas".
"Nesse quadro, importa sublinhar que estão em curso e previstos processos de reforço de efetivos e de meios. O combate a este fenómeno assenta ainda, de forma decisiva, na articulação entre a PM, a Marinha, a FAP, a GNR e a PJ, bem como na cooperação internacional. É essa atuação conjunta que tem permitido os resultados alcançados", defende e AMN.
"Os resultados obtidos este ano são reveladores do empenho, do profissionalismo e da dedicação das mulheres e dos homens da Polícia Marítima, que diariamente, e muitas vezes em condições adversas, asseguram a presença do Estado no mar e na orla costeira. A Polícia Marítima continuará a cumprir a sua missão com os meios de que dispõe, com o rigor e a determinação que o interesse público exige", acrescenta a mesma autoridade
Por sua vez, na mesma entrevista dada à SIC, o diretor Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da PJ, João Oliveira, foi direto ao ponto: "Temos um mar imenso para ser controlado e, nesse sentido, nós até em abstrato, precisaríamos de muito mais meios do que outros países que têm um mar muito mais pequeno [...]. Se fosse possível, efetivamente, alocarmos um pouco mais de meios seria ótimo".
Há um ano um militar da GNR morreu durante operação, agora foi um traficante a perder a vidaTal como já referimos acima, as operações policiais de combate ao narcotráfico são perigosas e podem custar vidas. Tanto às redes criminosas, como aos operacionais envolvidos.
No passado dia 11 de outubro, um traficante espanhol morreu depois de desrespeitar a ordem de paragem durante uma perseguição policial a uma narcolancha, a 80 milhas a sul de Faro, no Algarve.
As autoridades revelaram que o suspeito sofreu ferimentos graves no acidente e acabou por morrer a caminho do hospital. A embarcação dos traficantes navegava a 50 nós por hora, o que corresponde a cerca de 100 kms/hora, e fez uma manobra "arriscada" durante a perseguição. A mesma acabou por correr mal para os suspeitos e culminar na morte de um deles.
Há precisamente um ano, no dia 27 de outubro de 2025, foi um militar da GNR quem morreu durante uma perseguição a uma lancha de narcotráfico no Algarve.
Como anunciou o Ministério da Administração Interna (MAI) na altura, o Cabo Pedro Nuno Marques Manata e Silva, de 50 anos, "perdeu a vida, enquanto cumpria o seu dever", em Alcoutim. Além dele, outros três militares ficaram feridos na mesma operação policial.
Entre a imensidão do oceano e a vigilância em terra, a costa portuguesa tornou-se assim uma das linhas da frente no combate ao narcotráfico europeu. Se, por um lado, o aperto do cerco legal e a sofisticação das redes criminosas continuam a desafiar as autoridades, por outro, a resposta articulada entre as forças de segurança, as novas leis e o apoio das comunidades locais têm provado que Portugal não é um 'porto seguro' para o crime organizado.
Num combate perigoso, onde o risco de vida é real e diário, o país reajusta as suas rotas de vigilância para assegurar que o mar português não é sinónimo de impunidade.
GNR morre em missão contra tráfico de droga no Guadiana. Os detalhesNa noite de segunda-feira um militar da GNR morreu durante uma missão contra o tráfico de droga, no Guadiana. O barco onde seguia terá sido abalroado por uma lancha rápida, alegadamente, de traficantes. A Guarda, assim como o MAI e o Presidente da República já lamentaram o sucedido.
Natacha Nunes Costa com Lusa | 09:38 - 28/10/2025Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
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