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Marcelo afirma que Açores têm papel único em termos geoestratégicos

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Minuto Fonte Externa
26 de outubro de 2026 • 4 min de leitura
Marcelo afirma que Açores têm papel único em termos geoestratégicos

O ex-Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa afirmou hoje que os Açores desempenharão, no futuro, um "papel único" em termos geoestratégicos no quadro mundial, tendo feito um balanço "muito positivo" da autonomia.

 

Marcelo Rebelo de Sousa, que foi o orador principal do colóquio "A Autonomia Açoriana no Portugal Democrático: balanço e perspetivas", que decorre em Ponta Delgada, considerou que hoje "o mundo é outro" e os Açores "têm razões acrescidas, do ponto de vista geoestratégico, para poderem explicar que, numa estratégia de futuro açoriana, portuguesa, europeia e mundial, têm um papel que é único".

O ex-chefe de Estado frisou a importância dos Açores em tempos de paz e guerra, na perspetiva científica e tecnológica, a par das "novas fronteiras do espaço e do tempo", possuindo o arquipélago uma "especificidade que é virtuosa".

O ex-Presidente da República referiu, por outro lado, que a definição do quadro financeiro é "um desafio brutal, constante e acrescido", a par da vertente económica.

Marcelo Rebelo de Sousa destacou que "o continente europeu atrasou-se em matéria de ciência e tecnologia" e "tem de recuperar", sendo que "para uma estratégia de futuro a cooperação é premente".

No colóquio interveio também o antigo presidente da Assembleia da República e do primeiro Governo dos Açores, Mota Amaral, que considerou que, na pré-história do regime autonómico, " a aproximação à autonomia foi muito cautelosa".

Mota Amaral afirmou a necessidade de "aproximar as ilhas umas das outras", de "haver um pensamento que fosse regional", a par da "noção de povo açoriano, que se levantava", o que "foi catalogado como sendo separatismo" por Lisboa.

"O projeto autonómico açoriano resultou e corresponde às aspirações das pessoas" declarou, para salvaguardar que a autonomia "foi uma conquista que se fez lentamente".

O antigo presidente do Governo dos Açores considerou, por outro lado, que o papel desempenhado pelos Estados Unidos e a Base das Lajes foram vantajosos na perspetiva financeira, face às contrapartidas para os cofres da região.

Mota Amaral defendeu ainda a necessidade de os Açores serem ouvidos em questões internacionais que lhes dizem respeito, como afirmou já ter acontecido no passado.

Eduardo Paz Ferreira, considerado o pai da Lei de Finanças das Regiões Autónomas, foi outro dos oradores convidados e destacou que o 25 de Abril "abriu caminhos profundamente inovadores", como a autonomia dos Açores e da Madeira.

Paz Ferreira destacou a necessidade de apoio do Estado aos Açores para assegurar a igualdade no território nacional e s sublinhou a necessidade de reduzir a dependência dos recursos nacionais, o que o turismo, apesar da sua dimensão na região, não é capaz de gerar.

Paz Ferreira considerou o mar como "fator determinante para combater a independência crónica da região", lamentando a interpretação constitucional que se faz do domínio marítimo, numa leitura que considerou centralista.

Para o orador, há um "novo tempo no mar dos Açores", que possui "grande importância para a biologia marinha, com ecossistemas únicos", o que transforma o arquipélago num "verdadeiro laboratório natural.

Paz Ferreira defendeu, ainda, que os Açores devem ser "protagonistas e não figurantes" nas questões do mar".

Em termos de posicionamento geoestratégico e espacial, referiu que os Açores são uma "voz determinante", salvaguardando que "o futuro de Portugal passa pelos Açores".

O colóquio resulta de uma parceria entre o CHAM Açores - Centro de Humanidades da Universidade dos Açores e a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores e evoca os 50 anos de autonomia regional.

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Lusa | 22:11 - 25/10/2026

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