Meios de comunicação checos realizam greve de 24h contra nova lei
Os trabalhadores dos meios de comunicação públicos checos realizaram hoje uma greve de 24 horas em protesto contra um plano do governo que visa reformular o financiamento das emissoras públicas.
O plano é liderado pelo multimilionário Andrej Babiš, agora primeiro-ministro, e já motivou protestos em Praga, a capital checa, no mês passado e em ocasiões anteriores.
De acordo com o plano, a rádio e a televisão públicas do país passariam a ser financiadas pelo orçamento do Estado, em vez de pelo sistema atual de taxas regulares cobradas a indivíduos, famílias e empresas. Os meios de comunicação receberiam cerca de 15% menos dinheiro do que recebem atualmente, o que poderia levar a despedimentos de pessoal, produção limitada e cancelamentos de programas.
Os críticos afirmam que esta reforma daria à coligação tripartida no poder os meios para assumir o controlo dos meios de comunicação, à semelhança do que os governos populistas fizeram na Eslováquia, sob o primeiro-ministro Robert Fico, e na Hungria, antes de o antigo primeiro-ministro Viktor Orbán ter sido destituído do poder em abril.
Michal Kubal, editor-chefe de notícias da Televisão Checa, afirmou que a greve de hoje não tem precedentes na história dos meios de comunicação social de serviço público checos.
Nas suas televisões, os residentes checos viram hoje um anúncio que dizia: "Estamos a fazer tudo o que podemos para garantir que possamos continuar a prestar um serviço público em toda a sua amplitude e qualidade no futuro".
Segundo Kubal, apenas seria transmitida uma programação limitada — conteúdos arquivados e boletins de notícias mais curtos.
Ao longo da manhã, a rádio pública checa transmitiu apenas música, interrompida por uma breve declaração a explicar os motivos da greve e por um minuto de silêncio. Os estudantes universitários marcharam por Praga e outras grandes cidades no final da terça-feira, antes de se juntarem a manifestações planeadas em apoio aos meios de comunicação públicos.
Milhares de manifestantes reuniram-se na Praça Venceslau, no centro de Praga, para exigir que o governo retirasse a proposta de lei sobre a reforma do financiamento e abrisse um debate público exaustivo e transparente sobre a questão.
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