Miguel Albuquerque: "Portugueses devem ser impermeáveis à radicalização"
O presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, defendeu hoje que os portugueses devem ser "impermeáveis" à radicalização na questão da falta de habitação, salientando ser necessário dar tempo ao executivo central para implementar as suas politicas.
"Do ponto de vista político, é preciso termos o sentido das proporções. Devemos ser impermeáveis à radicalização, porque não leva a nada, ou seja, leva a que as posições fiquem extremadas e nada vai resolver", disse o chefe do executivo madeirense aos jornalistas à margem da visita a uma escola na freguesia da Camacha, no concelho de Santa Cruz.
Albuquerque considerou que com a atual contestação estão a pedir a um primeiro-ministro que está há cerca de dois anos no poder "para pôr prontas milhares de casas", salientando que estas "não surgem por geração espontânea".
"Nós temos de ter políticas, leva algum tempo, apresentar projetos, adquirir terrenos", apontou o governante madeirense, complementando que a situação de apelo à mobilização popular é ainda "mais estranha" na Madeira, porque os dois ex-presidentes da Câmara Municipal do Funchal, que "não fizeram nenhuma habitação", estão agora a criticar as políticas do Governo Regional nesta área.
"Quando estive lá [presidência do principal município madeirense] fiz centenas e centenas de habitações e esta gente que vem hoje reclamar da habitação, esteve lá, teve o mandato popular, exerceu o poder e não fizeram nenhuma casa. Acho que há algum cinismo no meio disto tudo", afirmou.
Albuquerque indicou que já foram atribuídas mais de 800 casas na região e que pretende construir outras 300, sendo que na Madeira há uma aposta maior de construção pública a preços acessíveis, que contempla mais de 15 mil pessoas que vivem em 68 empreendimentos do Governo Regional.
Questionado sobre a assembleia popular que reuniu cerca de 100 pessoas, domingo, no Funchal, em solidariedade com os manifestantes em Lisboa e Porto que protestam pela falta de habitação - entre os quais estavam alguns políticos afetos ao PS, ao BE e ao PCP -, que decidiram também realizar mais uma reunião no próximo sábado, 31 de outubro, para continuar os preparativos para a manifestação de 14 de novembro, Albuquerque opinou que "os madeirenses não se deixam manipular".
Para o governante insular, até pode haver uma grande adesão a estas iniciativas, o que "depende da capacidade de mobilização dos partidos da esquerda e da extrema-esquerda e depois do PS", enfatizando que as pessoas "têm razão em criticar a falta de habitação".
O responsável contrapôs que na Madeira têm sido aplicadas políticas para resolver o problema, com construção de habitações acessíveis públicas "em todos os concelhos, em boas localizações, não são guetos, são casas construídas em zonas nobres, com todas as condições de conforto".
Adiantou que também são apoiadas centenas de famílias no valor das rendas, na aquisição de casas, no pagamento das prestações dos empréstimos bancários e que vai ser implementada a vertente da habitação cooperativa, estando prevista a adjudicação de mais de 50 apartamentos no Funchal.
Miguel Albuquerque anunciou também que não estará na reunião do Conselho de Estado convocado pelo Presidente da República, António José Seguro, em 02 de novembro para abordar a questão da coesão social, porque estará em Guadalupe para assumir a presidência da Conferência das Regiões Ultraperiféricas.
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