Moçambique avança com 10 projetos de eletrificação até 2027
O Fundo Nacional de Energia (Funae) moçambicano prevê concluir, até ao final do primeiro semestre de 2027, dez projetos de eletrificação, após constrangimentos na disponibilidade de recursos terem condicionado a execução das obras e a manutenção de infraestruturas.
O presidente do conselho de administração do Funae, Mety Gondola, disse hoje que a instituição está a reorganizar as prioridades, concentrando-se nos projetos com níveis de execução entre 60% e 70%, enquanto outros 12, com execução entre 30% e 40%, deverão ser concluídos até ao final de 2027.
O Fundo de Energia é uma instituição pública moçambicana responsável por financiar e implementar projetos de energia, sobretudo para aumentar o acesso à eletricidade nas zonas rurais, pequenas centrais, incluindo solares, que funcionam fora da rede elétrica nacional.
"Definimos, então, estes casos, temos que, até ao máximo do primeiro semestre de 2027, concluir estes dez", disse Gondola, referindo-se aos projetos cuja execução se encontra entre 60% e 70%.
Entre os 12 projetos com níveis de execução entre 30% e 40% está o de Lúrio, na província de Nampula norte de Moçambique, cuja componente de construção civil continua por concluir. Segundo Gondola, o Funae já dispõe de recursos para avançar, mas está a renegociar o contrato com o empreiteiro devido a divergências sobre os custos da retoma dos trabalhos.
"Mas o que é seguro é que Lúrio nós vamos eletrificar. Está dentro do nosso mapa das urgências", afirmou o responsável, acrescentando que uma equipa se deslocará ao local para avaliar a situação e procurar assegurar a conclusão do projeto.
O Funae diz estar também a dar prioridade à recuperação de centrais elétricas que deixaram de funcionar devido a avarias e permanecem sem fornecer energia há dois ou três anos.
A recuperação destas infraestruturas integra os esforços de Moçambique para alargar o acesso à eletricidade, sobretudo nas zonas rurais e nas comunidades afastadas da rede nacional.
Em outubro, a directora nacional de Energia, Marcelina Mataveia, apontou a dispersão demográfica, a dimensão territorial e as limitações de financiamento entre os principais obstáculos à expansão do acesso à energia.
Segundo dados apresentados pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia, Moçambique atingiu uma taxa de acesso à energia de 66,9%, dos quais 57,9 pontos percentuais correspondem à rede elétrica convencional e nove pontos percentuais a soluções fora da rede.
O Funae apresentou anteriormente o Programa Nacional de Aceleração da Eletrificação através de Mini-redes (Promir), que prevê a instalação de 363 em todo o país, num investimento estimado em 250 milhões de dólares. O
financiamento para 148 destas infraestruturas está assegurado nas províncias de Nampula e Niassa no norte de Moçambique, Zambézia e Tete no centro.
A instituição está ainda a avaliar projetos em que a instalação da rede elétrica avançou, mas as obras civis ficaram atrasadas, admitindo, em função de cada caso, poder retomar os contratos existentes ou lançar novos concursos para concluir as infraestruturas.
"Primeiro, a busca de recursos. Para podermos retomar as nossas atividades", afirmou Gondola, referindo-se à mobilização de financiamento para recuperar as instalações e concluir os projetos em curso.
Em setembro, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, anunciou a criação de uma coligação para mobilizar 966,5 milhões de euros destinados à eletrificação fora da rede, no âmbito da meta de acesso universal à energia até 2030. O Governo prevê realizar cerca de 2,5 milhões de ligações fora da rede para alcançar esse objetivo.
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Lusa | 13:49 - 26/10/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
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