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Moçambique instala oito postos de gás veicular face à crise de combustíveis

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Minuto Fonte Externa
4 de novembro de 2026 • 4 min de leitura
Moçambique instala oito postos de gás veicular face à crise de combustíveis

O Governo moçambicano está a instalar oito postos de abastecimento de gás natural veicular nas três províncias do sul do país como resposta à crise de combustíveis, prevendo que estejam operacionais até 2027, foi hoje anunciado.

 

"O Governo está a promover o alargamento do acesso ao gás natural veicular, através da implementação de um programa estruturado que inclui o financiamento da expansão das infraestruturas de abastecimento de gás veicular. Com efeito, está em curso a instalação de três novos postos de abastecimento na cidade e províncias de Maputo, dois na província de Gaza e três na província de Inhambane", disse o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale.

Ao responder, no parlamento, a perguntas de deputados face à crise de combustíveis, o governante disse que o executivo está já a instalar estes postos de abastecimento em três províncias do sul de Moçambique, que deverão entrar em funcionamento em 2027.

"O Governo aposta igualmente no reforço da utilização de autocarros movidos a gás natural no transporte público, contribuindo para diversificar as fontes de energia utilizadas no setor de transporte. Importa, contudo, esclarecer que estas alternativas não resolvem imediatamente os atuais constrangimentos do abastecimento", referiu o ministro.

O Governo admitiu que a escassez de combustíveis está a afetar as famílias, incluindo os transportes e o setor da agricultura, tendo tomado medidas como a proibição temporária da reexportação de combustíveis destinados ao consumo interno, sem prejuízo do trânsito regular para outros países.

"Reforçamos a capacidade operacional da nossa empresa Petromoc, permitindo-lhe disponibilizar volumes adicionais de combustíveis e abastecer os operadores retalhistas, independentemente das existências de contratos prévios com outros distribuidores", disse.

"Reforçamos igualmente as operações de carregamento em todas as terminais do país: Maputo, Beira, Nacala e Pemba, com a possibilidade de alargamento dos horários de funcionamento e a realização de operações aos sábados, sempre que necessário para acelerar a distribuição do produto", acrescentou o ministro de Energia.

Entre abril e maio, a escassez de gasolina e gasóleo provocou filas de dezenas de viaturas e levou ao reforço da presença da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) da polícia em postos de abastecimento que dispunham de combustível, para garantir a segurança e controlar a afluência de automobilistas, motociclistas e consumidores munidos de recipientes.

Na altura, o Governo associou parte dos constrangimentos ao impacto do conflito no Médio Oriente nos mercados internacionais de energia e nas cadeias de abastecimento, explicando que cerca de 80% dos combustíveis importados por Moçambique tinham origem naquela região e transitavam pelo estreito de Ormuz.

Paralelamente, o Banco de Moçambique reconheceu dificuldades de acesso a divisas para financiamento das importações de combustíveis pela alegada falta de capacidade de algumas empresas do setor.

Dados do banco central indicam que Moçambique gastou 236,4 milhões de dólares (203,5 milhões de euros) na importação de combustíveis no primeiro trimestre de 2026, menos 1,4% face aos 239,6 milhões de dólares (206,3 milhões de euros) do mesmo período do ano anterior.

Em resposta aos efeitos da crise de abastecimento e à subida dos preços internacionais, o Governo decidiu em maio aumentar os preços administrados dos combustíveis, medida que resultou numa subida de 45,5% no gasóleo e de 12,1% na gasolina.

Leia Também: Crédito à economia moçambicana cai em agosto

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