Netanyahu diz que fim da ajuda militar dos EUA reforça parceria
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou hoje que o fim da ajuda militar norte-americana a Israel demonstra a solidez das relações bilaterais, depois de o Presidente Donald Trump ter anunciado a suspensão dos pagamentos.
"A transição de um modelo baseado na ajuda para um modelo de parceria demonstra a força e a sofisticação da nossa relação, bem como a sua capacidade de adaptação e de se manter sólida ao longo do tempo", afirmou o chefe do Governo israelita sobre o anúncio de Washington.
A declaração, divulgada pelo seu gabinete na rede social X, constitui a primeira reação pública de Netanyahu ao anúncio feito na terça-feira, dia de eleições intercalares norte-americanas, pelo Presidente dos EUA.
Trump anunciou a intenção de interromper a transferência anual de cerca de 3.800 milhões de dólares (aproximadamente 3.300 milhões de euros) em assistência militar a Israel, argumentando que o país já não necessita desse apoio devido à sua prosperidade económica.
Netanyahu sublinhou que a assistência militar norte-americana sempre beneficiou de um consenso entre democratas e republicanos nos Estados Unidos.
O primeiro-ministro afirmou ainda que Israel utilizou esses recursos tanto para garantir a sua própria defesa como para combater adversários que representam ameaças aos Estados Unidos e ao Ocidente.
O anúncio de Trump provocou críticas da oposição israelita, que questionou as consequências da decisão para a segurança nacional e para as relações estratégicas entre os dois países.
O líder da oposição, Gadi Eisenkot, acusou Netanyahu de colocar em risco a parceria com Washington e exigiu esclarecimentos sobre as alterações ao modelo de cooperação militar.
"A relação especial de Israel com os Estados Unidos é uma componente fundamental da sua segurança nacional", escreveu Eisenkot, antigo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas israelitas, nas redes sociais.
O atual memorando de entendimento sobre assistência militar entre os Estados Unidos e Israel foi assinado em 2016 e prevê transferências anuais de 3.800 milhões de dólares entre 2019 e 2028.
O acordo, com uma duração de 10 anos, representa um compromisso financeiro global de 38 mil milhões de dólares (cerca de 33 mil milhões de euros), destinado a apoiar as capacidades militares e de defesa de Israel.
A decisão anunciada por Trump antecipa, assim, o fim da assistência prevista no memorando, cuja vigência estava inicialmente estabelecida até 2028.
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