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"O seu silêncio neste momento, Sr. Presidente, não acalma a violência"

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Minuto Fonte Externa
25 de outubro de 2026 • 4 min de leitura
"O seu silêncio neste momento, Sr. Presidente, não acalma a violência"

Elementos da Comissão de Honra de António José Seguro enviaram, este domingo, uma carta ao chefe de Estado na qual pedem uma reação: "O seu silêncio neste momento, Exmo. Sr. Presidente da República, não acalma a violência. Só a sua palavra pode repor a tranquilidade pública e a primazia do respeito pelos direitos cívicos dos cidadãos."

 

Na missiva assinada por nomes como Capicua, Helena Roseta, Pedro Abrunhosa, Susana Peralta ou Valter Hugo Mãe, começa por se salientar que, "nas últimas semanas, milhares de cidadãos têm saído à rua em manifestações legítimas pelo direito à habitação e contra o aumento do custo de vida", sendo que estes protestos, "invariavelmente pacíficos, têm sido recebidos com um aparato policial desnecessário e desproporcional que, na madrugada deste domingo, e já não pela primeira vez, degenerou em cargas policiais pela calada da noite contra manifestantes não violentos, provocando dezenas de detidos e um número ainda indeterminado de feridos."

"A reação policial violenta tem sido justificada pela necessidade de fazer cumprir o Decreto-Lei 406/74, cuja vigência é anterior à Constituição da República Portuguesa e que limita o direito de reunião em espaços públicos a partir das 00h30", frisam, considerando porém os subscritores, que "tal norma não foi invocada para dispersar pela força outras manifestações no passado, incluindo 'acampadas', que em várias ocasiões se prolongaram por vários dias ou semanas e em que as autoridades, invariavelmente, adotaram uma interpretação sábia e equilibrada da lei". 

E vincaram ainda: "A exigência do cumprimento da lei não pode ser exclusivamente assacada aos manifestantes. Tem de aplicar-se, imperativamente, às forças policiais que, munidas da autoridade do Estado, têm a incumbência de zelar pelos direitos dos cidadãos."

"Acresce", fizeram ainda questão de notar, que, "como é do conhecimento público, o Tribunal Administrativo de Lisboa admitiu na última quinta-feira uma ação que visa precisamente dirimir a legalidade das manifestações que têm ocorrido, tendo o mesmo Tribunal dado ao Ministério da Administração Interna e à Câmara Municipal de Lisboa um prazo de 48 horas para se pronunciarem sobre a ação intentada."

E, continuam, é "alarmante que, em Portugal, estando a matéria entregue à Justiça, a polícia se pronuncie não no âmbito do processo, mas por via de cargas policiais indiferenciadas contra manifestantes pacíficos".

"Num Estado de Direito democrático", apontaram ainda, "nunca pode ser admissível que, numa circunstância em que não há violência nas ruas, seja a polícia a iniciá-la". 

"Os portugueses estão a assistir a uma escalada de violência nas ruas das nossas cidades, provocada não por manifestantes, que se têm mantido pacíficos, mas por uma polícia agressiva, que usa o poder coercivo do Estado para desmobilizar pela força protestos não violentos, com o pretexto administrativo de que os direitos constitucionais dos cidadãos se interrompem às 00h30", advogam, acrescentando: "A repressão policial infundamentada, desnecessária e desproporcional gera um alarme justificado junto dos portugueses e coloca em causa direitos fundamentais. Nestas circunstâncias, torna-se urgente e inadiável ouvir a voz do Presidente da República."

De recordar que vinte e sete pessoas ficaram feridas na sequência da atuação das forças policiais, hoje de madrugada, na Acampada do Rossio, em Lisboa, disseram à Lusa fontes dos hospitais de Santa Maria e de S. José.

No Hospital de São José, deram entrada 24 pessoas feridas, tendo a última situação de alta ocorrido às 06h55 de hoje, disse fonte oficial do hospital, enquanto no estabelecimento hospitalar de Santa Maria deram entrada três pessoas com ferimentos ligeiros, que tiveram alta ainda antes da manhã, acrescentou a fonte do hospital de Santa Maria.

Leia aqui na íntegra a carta enviada a António José Seguro

AO MINUTO: Concentração em Lisboa e Porto; "Contrariar tese de bastonada"

Acompanhe aqui AO MINUTO os desenvolvimentos nos protestos contra a crise da habitação.

Notícias ao Minuto | 07:43 - 25/10/2026

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