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Onda democrata só chegou ao Michigan de madrugada, festa já estava feita

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Minuto Fonte Externa
4 de novembro de 2026 • 5 min de leitura
Onda democrata só chegou ao Michigan de madrugada, festa já estava feita

Num pavilhão reconvertido do histórico Eastern Market de Detroit, todas as derrotas republicanas nas eleições intercalares de terça-feira projetadas no ecrã ligado na cadeia NBC news eram motivo de excitadas palmas e vivas por parte das muitas centenas de fãs do candidato democrata.

 

Por todo o lado, camisolas declaravam judeus por Abdul, cristãos por Abdul, mulheres por Abdul, bem como enfermeiras, estudantes, professores e, claro, muçulmanos por Abdul.

As projeções de vitória de senadores democratas iam chegando e as explosões de alegria sucediam-se: Amy Acton no Ohio, James Talarico no Texas, Josh Turek no Ohio.

O candidato declarou vitória pela 01:30 da manhã locais (06:30 em Lisboa), com 80% dos votos do Estado contados e quando tinha cerca de 52% contra 46% do adversário republicano Mike Rogers.

Antes, mesmo quem não vota nos Estados Unidos El-Sayed não escondia o entusiasmo pela perspetiva de vitória de El-Sayed, como Andy O'Brien, membro do Partido Trabalhista irlandês.

"Vim da Irlanda para fazer campanha por Abdul El-Sayed. Estou contente por ver que os americanos estão a querer saber de assuntos reais em vez de guerras culturais idiotas. As pessoas estão focadas no dinheiro que têm, na carteira, no emprego e na qualidade de vida que têm", disse à Lusa.

Destacando a ligação de El-Sayed ao movimento sindical, afirmou esperar que o controlo democrata do Congresso também tenha efeitos no resto do mundo, sucedendo-se a figuras que passaram a estar em destaque na política norte-americana, como o presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, da ala progressista do Partido Democrata.

"Ele está a dar o exemplo do que se pode fazer nos Estados Unidos para dar qualidade de vida às pessoas. Ao mesmo, espero que tire o ímpeto a partidos como o Vox, em Espanha, a Alternativa para a Alemanha (AfD) ou o Reform UK, para que se desvaneçam na História e toda a gente se esqueça deles", considerou.

Em Dearborn, a cerca de 20 quilómetros de distância, a expetativa ia sendo acompanhada com discursos em árabe e em inglês numa 'Watch Party' organizada pela campanha do candidato democrata ao senado estadual de origem libanesa, Abbas Alawieh.

O presidente da Câmara local, Abdalla Hammoud, afirmou que políticos republicanos fizeram a sua campanha no Michigan apontando Dearborn como "um exemplo do que os Estados Unidos não deve ser", por se tratar de uma cidade com mais de metade de população muçulmana.

Contrapôs que na terça-feira, os eleitores de Dearborn "deram uma lição ao Mundo" com a sua participação nas eleições, de tal modo que a certa altura do dia "se acabaram os boletins de voto" que tinham sido distribuídos e tiveram que ser distribuídos mais.

Nos discursos perante cerca de duas centenas de apoiantes num restaurante local, ressaltaram as referências às guerras de Israel e dos Estados Unidos contra países de origem de muitos dos habitantes de Dearborn.

O Presidente da camara, abdallah hammoud dizia aos cerca de 200 presentes que dearborn tinha dado uma "lixao ao mundo" com a participacao da comunidade maioritariamente muculmana, de tal modo que a certa altura do dia "se acabaram os boletins de voto".

"É o que acontece quando temos candidatos que respeitam as comunidades, que as tratam como seres humanos, que se opõem a governos que mandam milhares de milhões de dólares para governos estrangeiros que despejam bombas sobre crianças, mulheres ou escolas", declarou, fortemente aplaudido.

Acompanhando os resultados que iam chegando, Abbas Alawieh disse à Lusa que pouco importava se a vaga de rejeição contra o Presidente, Donald Trump e os republicanos fosse "uma onda ou um tsunami, desde que fosse azul"

No Eastern Market, um jovem "Estudante por Abdul", Josh Harmon, afirmou à Lusa que "todas as vezes que os republicanos perderem, há razões para festejar".

"Estamos a dizer que Donald Trump já não tem as mãos no pescoço deste país, que o que as pessoas querem é amar o seu vizinho, não é odiá-lo, como ele faz", disse.

"O que é que esperava? No estrangeiro, manda largar bombas, cá dentro manda bandidos perseguir pessoas que não fizeram nada", argumentou, referindo-se à polícia de imigração ICE e a sua ação contra imigrantes ilegais.

Quando no ecrã gigante na cadeia NBC se confirmou o controlo democrata no Senado, foi o primeiro delírio no Eastern Market, com vivas e abraços coletivo.

O segundo aconteceu com a confirmação de uma maioria democrata da Câmara dos Representantes com maioria democrata, significando controlo do Congresso norte-americano.

Danças sincronizadas e um ambiente festivo enchiam o recinto, até que pouco antes da meia noite, se anunciou que aquela festa estava a acabar.

Adequadamente, das colunas saía "Be Thankful for What You've Got" ["Dá graças por aquilo que tens"], da banda britânica Massive Attack, e a festa rumou para outros lados, ainda de olhos colados nos telemóveis a acompanhar a lenta contagem dos votos no Estado do Michigan.

Leia Também: 'Michiganders' afluem às urnas e podem eleger 1.º muçulmano para o Senado

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