ONU condena ataque russo a centro de distribuição de ajuda humanitária
A ONU condenou hoje um ataque do Exército russo na segunda-feira a uma escola utilizada como centro humanitário na província oriental ucraniana de Zaporijia, que fez pelo menos 31 mortos, segundo o último balanço oficial.
Num comunicado, o coordenador humanitário das Nações Unidas na Ucrânia, Matthias Schmale, destacou que a maioria das vítimas eram "habitantes locais que foram à escola para obter ajuda, além de funcionários da administração local".
Indicou também que bombardeamentos posteriores do mesmo local mataram ainda dois socorristas e quatro polícias.
"Cerca de 50 pessoas continuam desaparecidas e podem estar presas sob os escombros, enquanto prosseguem as operações de resgate", disse Schmale.
O responsável da ONU expressou também condolências aos familiares das vítimas, "cujas vidas foram destruídas por estes ataques", que atingiram "tanto a escola usada para distribuir ajuda como um abrigo para civis" na província de Zaporijia, parcialmente ocupada pela Rússia, no âmbito da invasão da Ucrânia iniciada em fevereiro de 2022.
"As pessoas que vivem perto da linha da frente já enfrentam condições imensamente difíceis, [e] a possibilidade de serem mortas quando procuram assistência essencial ou abrigo é algo horrível", lamentou, reiterando que "os civis que procuram apoio e as equipas de emergência que trabalham no resgate nunca devem ser alvos".
"As instalações civis, incluindo as destinadas a ajuda humanitária, devem ser respeitadas e protegidas, em conformidade com o Direito Internacional", sustentou Schmale, depois de o governador de Zaporijia, Mykhailo Semikin, ter denunciado que a Rússia "atacou de forma insidiosa" o local, utilizando "bombas guiadas FAB-500" e "bombas FAB-3000", adequadas para "destruir fortificações de betão de alta resistência e 'bunkers'".
Semikin salientou que uma dessas bombas provocou o desabamento de um "centro subterrâneo" onde se encontravam pessoas que tinham ido "em busca de ajuda".
"Essas pessoas não foram a uma instalação militar, nem a uma posição de combate, mas sim a um local onde esperavam receber apoio", vincou.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou na segunda-feira o ataque como "absolutamente horrendo" e declarou que "os russos demonstram uma e outra vez que odeiam a Ucrânia e tudo o que ali existe".
"Se a Rússia quisesse mesmo uma redução da tensão depois de Oleshki, era o momento para tomar medidas humanitárias. Nós propusemos isso, mas a Rússia continua a matar", afirmou, referindo-se ao cessar-fogo local observado nos últimos dias naquela localidade.
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