Oposição israelita concorda em formar Governo nas condições de Eisenkot
Os líderes dos partidos que integram a oposição israelita reuniram-se hoje num hotel em Herzliya, no centro de Israel, para debater, pela primeira vez desde as eleições de 27 de outubro, uma estratégia conjunta para formar um executivo.
"Os líderes dos partidos concordam na necessidade de formar, o mais rápido possível, um Governo sionista assente nos quatro princípios estabelecidos por [Gadi] Eisenkot", refere um comunicado conjunto das forças políticas, divulgado pelo Yashar! ("Em Frente!"), partido do antigo general e líder do bloco da oposição que pretende afastar do Governo o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu
Eisenkot estabeleceu quatro princípios para integrar a sua coligação: reconhecer Israel como um Estado judeu, democrático, liberal e igualitário, assumir o compromisso com os valores da Declaração de Independência de Israel, exigir a todos os cidadãos o cumprimento do serviço militar, nacional ou civil e reconhecer o Hamas como uma organização terrorista, "cujas capacidades militares e de governação na Faixa de Gaza devem ser destruídas".
Estes princípios aplicam-se igualmente aos partidos árabes, cujo apoio poderá constituir o principal instrumento da oposição para alcançar uma maioria parlamentar.
Na reunião participaram Eisenkot, líder da coligação, Naftali Bennett, que lidera o Beyajad juntamente com Yair Lapid, Avigdor Lieberman, do partido Israel Beitenu ("Israel, Nossa Casa"), e Yair Golan, do partido progressista Os Democratas.
Além disso, todos os partidos da oposição reafirmaram, durante o encontro, a intenção de propor Eisenkot como candidato à formação de Governo ao Presidente de Israel, Isaac Herzog, que começa quarta-feira as consultas com os partidos.
"O que temos de fazer agora é formar um Governo, porque o que aconteceu nos últimos dias só nos recorda que temos de afastar Netanyahu e os seus da residência oficial do primeiro-ministro", afirmou Lapid à chegada ao hotel Dan Accadia.
O político salientou que a Comissão Eleitoral Central de Israel considerou válidas as eleições de 27 de outubro e que estas refletem a vontade da população, depois de o Likud, partido de Netanyahu, ter tentado pôr em causa a sua legitimidade, alegando que a elevada participação da população árabe – maioritariamente palestinianos com cidadania israelita – resultou de uma ingerência estrangeira.
"Todo o partido Beyajad vai mobilizar-se com todas as suas forças para ajudar Gadi Eisenkot a formar um Governo o mais rapidamente possível", afirmou Bennett no final da reunião.
À saída do hotel Dan Accadia, os políticos foram aguardados por familiares dos reféns levados para a Faixa de Gaza na sequência dos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023, que instaram os representantes políticos a chegar a acordo sobre um método para formar um executivo.
"Quem esteve à frente da gestão dos acontecimentos de '07 de outubro' não pode fazer parte do futuro Governo deste país. [...] Não existe um Governo de unidade com as mesmas pessoas, os mesmos ministros e o mesmo primeiro-ministro, que tem sangue nas mãos", afirmou aos jornalistas presentes Michael Illouz, pai de Guy Illouz, refém de 26 anos que morreu em Gaza.
O encontro decorre numa altura em que o bloco formado pelos partidos dos líderes reunidos dispõe de 48 lugares no Parlamento, muito aquém dos 61 necessários para alcançar a maioria parlamentar e formar Governo.
Os partidos árabes dispõem de 19 lugares, mas a maioria dos membros da oposição tem-se mostrado relutante em aceitar o seu apoio, enquanto Lieberman o rejeita categoricamente. Apenas Golan tem defendido, desde as eleições, uma aliança com estas forças políticas palestinianas.
O líder de Os Democratas reuniu-se hoje com os dirigentes da formação árabe de esquerda Lista Conjunta para discutir a coordenação entre as respetivas forças políticas.
"Estamos a avançar a todo o vapor", escreveu o partido nas redes sociais, numa publicação acompanhada por uma fotografia de Golan com os políticos Yusef Jabareen e Ahmad Tibi.
Caso a oposição não recorra ao apoio dos partidos árabes para formar Governo, terá de negociar com os partidos ultraortodoxos ou de extrema-direita que apoiaram Netanyahu durante a legislatura que agora termina, para conseguir a maioria parlamentar necessária.
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Lusa | 10:44 - 03/11/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
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