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Opositores à mina de lítio em Boticas não desistem de lutar

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Minuto Fonte Externa
27 de outubro de 2026 • 5 min de leitura
Opositores à mina de lítio em Boticas não desistem de lutar

Opositores à mina de lítio do Barroso, em Boticas, que bloquearam os trabalhos da Savannah Resources garantiram que não vão desistir de lutar, já a empresa disse que hoje não estavam previstas ações naquele espaço.

 

Ao início da manhã, cerca de 30 pessoas que se opõem à extração de lítio em Covas do Barroso, no concelho de Boticas, distrito de Vila Real, repetiram um bloqueio aos trabalhos realizados pela Savannah numa área baldia, incluída na servidão administrativa que permite à empresa entrar nos terrenos para a realização de trabalhos de geotecnia.

Os manifestantes colocaram-se em frente a uma das máquinas de trabalho indo, de seguida, para o caminho florestal onde, ao longo da manhã, se foram juntando mais pessoas.

Contactada pela agência Lusa, fonte da empresa avançou que não estavam previstos trabalhos para aquele local no dia de hoje, que estão seguranças no espaço porque a sua "prioridade" é garantir a proteção de pessoas e máquinas e que os trabalhos em "todas as outras frentes continuam".

Entre os manifestantes estavam proprietários de terrenos abrangidos pela segunda servidão administrativa, autorizada pelo Ministério do Ambiente em maio.

Armando Gonçalves, de 72 anos, referiu que tem "bastante área" incluída na servidão, onde pastoreia o rebanho de ovelhas e onde plantou pinheiros após um incêndio que há 16 anos deixou tudo negro.

"Foi uma destruição e agora estamos a ver outra. A outra destruição ainda nos deixou a casa, ainda nos deixou a aldeia. Esta próxima destruição que está a querer aparecer é para nos mandar mesmo daqui embora", referiu o morador da aldeia de Romaínho, junto a Covas do Barroso.

Continua a levar as ovelhas para o lameiro, mas referiu que não cultivou mais os terrenos e que a nascente de água que ali tinha secou.

Armando Gonçalves contou que se juntou ao protesto para lutar "pelo presente e pelo futuro" destas comunidades e também dos vizinhos.

"Porque isto não vai afetar, não vai só dar cabo da freguesia de Covas. A freguesia de Covas, se isto for para a frente, é para desaparecer, mas os nossos concelhos vizinhos vão ficar todos afetados porque o pó vai muito longe e o rio vai até ao mar e o rio vai ficar completamente contaminado", realçou.

Maria Loureiro, de 58 anos, também é de Romaínho e esta é já a segunda vez que tem os terrenos incluídos na servidão administrativa.

"É um bocado de terreno, lameiros e olivais", contou, afirmando ser contra a mina porque aqui nasceu, foi criada e gosta da agricultura e daquilo que faz.

E é por isso que garantiu que não desiste de lutar e recusa aceitar que, no futuro, tenha perdido uma luta por não participar.

"Quero preservar os meus terrenos, o meu modo de vida. Os meus pais deixaram e eu quero deixar aos meus filhos e aos meus netos. Quero participar e quero preservar o futuro de nós todos, aquilo de bem que temos, esta paisagem, esta floresta, os lameiros e os nascentes, temos água pura, o sossego que tínhamos, que hoje não temos, portanto, quero lutar pelo bem que tínhamos e que gostava de continuar a ter", salientou.

José Fernandes, de 71 anos, reside na localidade de Muro, e tem também terrenos na área da servidão, onde tem mais de 500 eucaliptos e lenha que disse que dava para si e para os seus filhos, que desistiram fazer casa na aldeia por causa da mina e foram para a vila de Boticas.

"Talvez o futuro seja eu sair daqui", apontou.

Por causa de um futuro que diz ser incerto associou-se a este protesto e muitos outros que têm sido realizados.

"Muita gente, de Ribeira de Pena, de Cabeceiras, de Mondim, por aí abaixo, não pensam no que isto vai prejudicar as águas que eles bebem, que vão sair todas daqui envenenadas ou estariam talvez aqui ao nosso lado a ajudar-nos, mas ainda não se aperceberam disso. Quando se aperceberem vai ser tarde", lamentou.

É que depois de a mina abrir, advertiu, "vai ser tarde" e "já não vai haver nada que a feche".

"Por isso é lutar enquanto podemos, mas não está fácil", frisou.

Logo pela manhã, Nélson Gomes, presidente da Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB), frisou que estes moradores não querem uma mina à porta das suas casas, garantindo que os bloqueios vão continuar "enquanto for preciso".

Já no dia 09 de outubro, a associação interrompeu os trabalhos da empresa, com a GNR a identificar 27 opositores à mina de lítio, que a Savannah quer explorar na zona de Covas do Barroso. Hoje, a GNR não esteve no local.

"Numa altura que tanto se fala da habitação é precisamente também a nossa casa que está em risco, é a nossa habitação porque ter uma mina à porta de casa corremos o risco de um dia ter que sair das nossas casas e ser obrigados a abandonar a aldeia, coisa que não queremos", realçou Nélson Gomes.

Em maio, o Ministério do Ambiente autorizou uma segunda servidão administrativa que permite à Savannah entrar em terrenos comunitários e privados para trabalhos de geotecnia, a qual foi contestada em tribunal através de uma providência cautelar interposta pelo Conselho Diretivo dos Baldios da Freguesia de Covas do Barroso, que levou à suspensão das prospeções por cerca de 20 dias.

O projeto mineiro foi viabilizado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) com a emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em 2023.

A empresa Savannah Resources pretende iniciar a construção em 2027 e alcançar a primeira produção em 2028.

Leia Também: Opositores à mina de lítio bloqueiam trabalhos da Savannah em Boticas

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