Ourém defende respeito pelas práticas religiosas nas cidades-santuário
O presidente da Câmara de Ourém, Luís Albuquerque, disse hoje que preservar a identidade das cidades-santuário exige respeito pelas práticas religiosas, mas também atenção aos residentes, para que o turismo potencie a sua qualidade de vida.
"A fé continua a motivar muitos dos que nos visitam. Preservar a identidade destes lugares exige respeito pelas práticas religiosas, pelo recolhimento e pelo significado que cada pessoa atribui à sua presença", afirmou Luís Albuquerque.
O autarca discursava na abertura da conferência "Lugares sagrados, futuros partilhados", que assinala três décadas de cooperação de uma das mais antigas redes europeias de destinos de peregrinação mariana, que reúne Altötting (Alemanha), Czestochowa (Polónia), Einsiedeln (Suíça), Fátima/Ourém (Portugal), Loreto (Itália), Lourdes (França) e Mariazell (Áustria).
A formalização desta rede concretizou-se, em 2020, com a criação da Shrines of Europe – Associação das Cidades-Santuário Europeias, estando em curso o trabalho para que seja reconhecida como Itinerário Cultural do Conselho da Europa.
Luís Albuquerque, que preside também à 'Shrines of Europe', observou que para os municípios a responsabilidade de acolher "traduz-se em decisões do dia a dia" e "acolher bem exige percursos seguros e acessíveis, informação clara e serviços preparados para necessidades diferentes".
"Exige, sobretudo, atenção a quem vive e trabalha nas nossas cidades, para que o turismo contribua para a sua qualidade de vida", sustentou, reconhecendo a importância do turismo religioso para o emprego e economia dos territórios com santuários.
Para o autarca, o desenvolvimento deste turismo "deve ajudar a cuidar do património e a criar oportunidades para as comunidades".
Aos participantes, cerca de 200, lembrou que as cidades-santuário "conhecem o valor da fé na vida de muitas pessoas e a importância de respeitar quem tem outras convicções".
"Esse respeito deve reconhecer-se na forma como acolhemos, como dialogamos e como trabalhamos em conjunto", defendeu o presidente daquele município do distrito de Santarém, sustentando que é também assim que se contribui para a paz.
Sobre Fátima, o maior santuário mariano do país, referiu que "há quem venha agradecer, cumprir promessas ou, simplesmente, procurar alguma paz e conforto".
"Outros chegam para conhecer história e o património deste lugar. Cabe-nos todos receber com a mesma atenção", sublinhou Luís Albuquerque, para assinalar que essa atenção "depende de muita gente", de quem recebe nos santuários, dos voluntários, dos trabalhadores dos hotéis, comércio e restauração ou de quem cuida dos espaços públicos, um trabalho "tantas vezes discreto que dá sentido ao acolhimento" nas cidades-santuário.
A vice-presidente do Turismo do Centro Anabela Freitas adiantou que "um santuário, independentemente das motivações" de quem o procura, "é sempre um lugar de espiritualidade", mas que "pode ser aproveitado também como uma fonte de desenvolvimento e de investimento" dos territórios.
"Os santuários trazem pessoas, dão experiências, encontramo-nos connosco próprios, mas também vamos conhecer aquilo que é a cultura, a identidade e a autenticidade dos territórios à volta", referiu Anabela Freitas, que destacou a importância de Fátima em matéria de turismo religioso.
Para o Turismo do Centro, o que se pretende "é que o turista possa voltar", mas para voltar tem de "ter uma boa experiência".
Sobre o caminho desenvolvido pelas sete cidades-santuário, realçou que "está sob os valores europeus".
"Eu acho que hoje em dia é importante que nós afirmemos aquilo que são os nossos valores, tendo respeito, obviamente, por outros valores, mas somos europeus", acrescentou a vice-presidente.
O evento culmina na sexta-feira com uma visita guiada ao Santuário de Fátima, uma excursão à Vila Medieval de Ourém e a inauguração de uma exposição.
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