Papa pede que Uruguai continue a oferecer acordos e respeito pelo direito
O Papa Leão XIV instou hoje o Uruguai — país-sede do Mercosul — a continuar a oferecer aos seus vizinhos "a busca paciente de acordos" e a "perseverar no respeito pelo direito".
No primeiro ato da sua visita ao país, após ouvir o Presidente uruguaio Yamandú Orsi na Praça da Independência em Montevideu, o Papa realçou que "a própria Constituição uruguaia estabelece que, nos tratados internacionais, a República deve procurar a resolução de litígios através de arbitragem ou outros meios pacíficos, além de promover a integração social e económica dos Estados latino-americanos".
Por isso, no seu discurso, destacou que "o facto de Montevideu ser também a sede do Secretariado do Mercosul confere uma particular concretização desta vocação de favorecer espaços de entendimento e cooperação na região".
"Em tempos em que as diferenças podem facilmente transformar-se em motivo de confronto, perseverar no respeito pelo direito, na negociação e na busca paciente de acordos constitui um serviço que o Uruguai pode continuar a oferecer aos seus vizinhos", afirmou o Papa.
Por sua vez, Orsi manifestou a sua admiração pelo pontífice e agradeceu "a posição do Vaticano no que diz respeito aos Direitos Humanos, bem como o lugar central que a dignidade ocupa nas suas propostas".
"Partilhamos e apoiamos a sua postura inabalável em prol da solução pacífica dos conflitos. A nossa aposta no diálogo e no consenso — que orienta a nossa conduta internamente — é a mesma que nós, uruguaios, sempre promovemos nos organismos internacionais", sublinhou.
"Os cenários de violência e de guerras entre os povos" são "preparados e fomentados a partir da desinformação e dos medos" e por isso, "hoje, mais do que nunca, a partir da política e dos governos, temos a obrigação de propor outras formas de nos relacionarmos, em todos os âmbitos", afirmou o Presidente uruguaio.
O Sumo Pontífice deslocou-se ao local vindo do Aeroporto Internacional de Carrasco e, à chegada, foi recebido por Orsi — que já lhe tinha dado as boas-vindas no terminal aéreo.
Ao descer do papamóvel e caminhar em direção ao palco, Leão XIV recebeu uma camisola da seleção uruguaia de futebol, bem como várias cartas entregues por populares.
Logo de seguida, o líder máximo da Igreja Católica cumprimentou a vice-presidente Carolina Cosse e os ex-presidentes Julio María Sanguinetti, Luis Lacalle Herrera e Luis Lacalle Pou.
Um dos pontos centrais do encontro — destacou a Presidência — foi a participação de organizações sociais e comunitárias que desenvolvem o seu trabalho em diversas áreas.
Entre elas, estiveram representantes de espaços de acolhimento e integração para pessoas em situação de sem-abrigo, bem como de uma iniciativa que visa o bem-estar e a saúde mental de jovens e adolescentes.
Na sua intervenção, o Papa deixou ainda palavras de elogio à matriz energética do Uruguai, "que hoje se baseia quase inteiramente em fontes renováveis", numa altura em que o aquecimento global se agrava e o fenómeno El Niño provoca inundações e secas intensas.
"Trata-se de um resultado notável, que exigiu decisões sustentadas ao longo de anos e a participação de diversos setores do país", declarou Leão XIV.
O périplo papal de 12 dias inclui ainda a Argentina e o Peru, onde o Papa viveu 20 anos como missionário e como bispo de Chiclayo e do qual tem a nacionalidade, além da dos Estados Unidos, onde nasceu.
O Papa, de 71 anos, foi operado no dia 13 de outubro no Hospital Gemelli, em Roma, para remover um tumor cancerígeno e parte do pulmão direito.
Teve alta hospitalar no dia 17 de outubro e médicos citados pelo Vaticano afirmaram que estava apto para viajar e que não necessitava de tratamento adicional.
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Lusa | 22:41 - 06/11/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
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