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Paris vai tomar medidas judiciais contra autores de "graffiti" racistas e xenófobos

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Minuto Fonte Externa
31 de outubro de 2026 • 3 min de leitura
Paris vai tomar medidas judiciais contra autores de "graffiti" racistas e xenófobos

O presidente da Câmara de Paris, o socialista Emmanuel Grégoire, anunciou hoje que vai tomar medidas judiciais contra os autores de "graffiti" racistas e xenófobos nas fachadas dos estabelecimentos comerciais da capital francesa.

 

As inscrições promovem a chamada "remigração" – um conceito utilizado pela extrema-direita radical para defender a expulsão em massa de pessoas de origem estrangeira.

"Por detrás da palavra 'remigração' está o projeto racista da extrema-direita. Não permitiremos que este ódio se instale nas nossas ruas", escreveu Grégoire numa mensagem nas suas redes sociais. A publicação inclui fotos de dois destes "graffiti", feitos em painéis de contraplacado utilizados por muitos comerciantes para proteger as suas montras, por receio de novos atos de vandalismo durante os protestos de hoje contra o aumento do custo de vida.

Plusieurs tags faisant la promotion de la « remigration » ont été découverts ce matin dans les rues de Paris. Derrière le mot « remigration » se trouve le projet raciste de l’extrême droite. Nous ne laisserons pas cette haine s’installer dans nos rues. https://t.co/egi9r7FU1w

— Emmanuel Grégoire (@egregoire) October 31, 2026

No seu comunicado, o autarca informou que vai encaminhar a queixa para o Ministério Público, com base no artigo 40.º do Código de Processo Penal francês, e apresentar uma queixa formal para que os responsáveis sejam identificados e processados.

O autarca considera tais incitamentos ao ódio racial de "gravidade particular", sobretudo após o atentado racista ocorrido há oito dias em Trappes, nos arredores de Paris.

Nesse ataque, um homem de 39 anos matou a tiro um francês negro de 26 anos e feriu outras sete pessoas — incluindo uma menina de 11 anos, que ficou gravemente ferida na localidade vizinha de La Verrière.

O suspeito, que foi acusado e encarcerado, admitiu ter escolhido as suas vítimas por serem muçulmanas ou de origem africana ou norte-africana. O indivíduo trazia consigo autocolantes do partido Reunião Nacional (Rassemblement National), de Marine Le Pen, feitos pelo próprio.

O presidente da Câmara de Paris salientou que a descoberta das pichagens este sábado coincide com a proibição, pelas autoridades, de um colóquio sobre a "remigração" — previsto para hoje em Plessis-Robinson (nos arredores de Paris) — e de uma manifestação convocada para este domingo na capital, devido ao risco que representam para a ordem pública.

"Paris não cederá em nada perante o racismo e a extrema-direita", afirmou Grégoire.

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