Parlamento egípcio aprova apoio militar à Arábia Saudita contra huthis
O Parlamento egípcio autorizou hoje o envio de apoio militar à Arábia Saudita, que está em guerra contra os huthis do Iémen, em conformidade com o pedido do chefe de Estado do Egito.
A Câmara dos Representantes "autoriza o Presidente Abdel Fattah al-Sisi a tomar as medidas necessárias para apoiar o Reino Saudita", informou o jornal oficial al-Ahram, uma decisão que marca um corte com a prudência diplomática verificada pelo Egito nos últimos anos.
Na passada quarta-feira, al-Sisi declarou que o apoio militar proposto pelo Cairo a Riade, face aos rebeldes huthis iemenitas pró-iranianos, visa "defender o território saudita" e não prevê ataques no Iémen.
"A estabilidade dos nossos irmãos do Golfo faz parte da segurança nacional do Egito", acrescentou al-Sisi, citado pela al-Qahera News, uma estação televisiva estreitamente ligada aos serviços de informações.
Dois dias antes, o parlamento egípcio adiara para hoje a sessão plenária convocada a pedido de al-Sisi para votar sobre um eventual apoio militar à Arábia Saudita, face aos ataques dos huthis do Iémen.
O parlamento, presidido por Hisham Badawi, tinha realizado na véspera uma sessão plenária em resposta ao pedido do chefe de Estado egípcio, mas, após mais de duas horas de debates, cujos pormenores estão por conhecer, decidiram adiar a votação.
Em resposta, a partir da Sana, o presidente do parlamento controlado pelos rebeldes huthis, Yahya Ali al-Raai, advertiu o Egito contra qualquer intervenção militar no Iémen.
Numa "carta urgente" assinada pelos membros do parlamento controlado pelos huthis e enviada ao presidente da assembleia egípcia, Yahya Ali al-Raai alertou que uma intervenção do Egito no Iémen "representará um grave perigo para a segurança nacional e estabilidade interna", bem como para a estabilidade regional.
Além disso, manifestou preocupação com a possibilidade de o Egito apoiar militarmente a Arábia Saudita, país que tem estado sob fogo huthi nos últimos meses e cujas instalações energéticas e civis – incluindo os aeroportos – têm sido alvo de ataques que causaram dezenas de mortos e feridos em apenas algumas semanas.
"Rejeitamos categoricamente arrastar o Egito árabe e histórico para uma batalha que não reflete os seus valores", afirmou Yahya Ali al-Raai, após argumentar que o Cairo não deveria aliar-se às forças que lutam contra o Iémen, apesar de o exército egípcio ter feito parte da coligação militar liderada por Riade que intervém contra os huthis desde 2015.
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