Partido ultraortodoxo desiste das eleições após pressão de Netanyahu
O pequeno partido ultraortodoxo Achi desistiu hoje de participar nas eleições de terça-feira em Israel, após pressão do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, na sequência de sondagens que não lhe atribuem qualquer lugar no parlamento israelita.
"Não devemos desperdiçar um único voto em partidos que não consigam ultrapassar o limiar eleitoral", afirmou, em comunicado, o Likud, partido de Netanyahu, alertando que esses votos poderiam facilitar a formação de um Governo liderado pela oposição.
O Achi, uma formação minoritária cujo nome significa "meu irmão" em hebraico, anunciou a desistência após chegar a um acordo com o Likud, que prevê a nomeação de um vice-ministro no gabinete do primeiro-ministro para promover princípios comuns, segundo o partido de Netanyahu.
Fundado em junho por apoiantes do falecido rabino Yoram Abergel, o Achi tem como líder espiritual Haim Yosef Abergel, filho do rabino e responsável pela rede de escolas religiosas deste.
Haim Yosef Abergel foi detido em agosto de 2025, sob suspeita de crimes sexuais contra menores, segundo o jornal israelita The Times of Israel.
O jornal israelita Ynet divulgou na quinta-feira um vídeo de uma conversa telefónica entre Netanyahu e Abergel, durante a qual o primeiro-ministro elogia o empenho deste na defesa da população israelita e faz referência ao acordo alcançado.
Netanyahu tem também pressionado outras duas formações minoritárias a desistirem da corrida eleitoral: o partido de direita Povo de Israel, de Ofer Winter, e o Partido Público Haredi, de Moti Leitner. No entanto, ambos têm resistido até agora, segundo o jornal The Times of Israel.
A lei eleitoral israelita estabelece um limiar de 3,25% dos votos para a eleição de deputados para o Knesset, o parlamento israelita, composto por 120 membros.
A desistência de partidos que não atingem essa percentagem pode evitar que parte dos votos da direita fique sem representação parlamentar, numa disputa em que os blocos de Netanyahu e da oposição, liderada por Gadi Eisenkot, surgem muito próximos nas sondagens.
Nenhum dos dois blocos consegue, por si só, alcançar os 61 deputados necessários para obter uma maioria parlamentar, pelo que a distribuição final dos lugares e a capacidade dos partidos para reunir apoios serão determinantes para a formação do próximo Governo.
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