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Partidos árabes acusam Netanyahu de manipular resultados das eleições

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Minuto Fonte Externa
29 de outubro de 2026 • 4 min de leitura
Partidos árabes acusam Netanyahu de manipular resultados das eleições

A coligação Lista Conjunta acusou hoje o Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, de tentar subverter os resultados das eleições de terça-feira ao alegar que os partidos árabes cometeram fraudes e beneficiaram de ajuda estrangeira.

 

"Estas acusações racistas não fazem mais do que pôr em evidência o quanto temem o poder da nossa comunidade", afirmou a Liga Conjunta, citada pela agência espanhola EP.

As acusações surgiram depois de os partidos árabes terem obtido um resultado histórico nas legislativas realizadas em Israel na terça-feira, ao elegerem pelo menos 18 deputados, face aos 10 que têm atualmente.

Os resultados da Lista Conjunta e da Lista Árabe Unida (Ra'am) podem fazer com que sejam determinantes para a formação do próximo executivo, dado que o bloco de direita e o bloco da oposição não terão maioria.

A Lista Conjunta e o Ra'am já se mostraram abertos a entendimentos com a coligação da oposição Yashar, liderada por Gadi Eisenkot, para afastar Netanyahu.

O Likud acusou os partidos árabes de fraude eleitoral generalizada e de terem recebido financiamento estrangeiro, tendo as autoridades eleitorais solicitado aos serviços de segurança interna a abertura de uma investigação.

O partido de Netanyahu falou mesmo num "atentado contra a democracia" e advertiu que o objetivo dos alegados planos seria promover a "islamização de Israel" e provocar a queda do primeiro-ministro.

O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, líder de uma das formações de extrema-direita que integram a coligação governamental, pediu hoje a detenção dos dirigentes dos partidos árabes, alegando que receberam dinheiro do Qatar.

O Governo do Qatar reagiu e considerou as acusações "tão ridículas quanto perigosas".

"Acusam o Qatar de comprar Benjamin Netanyahu, a esquerda israelita e agora o voto árabe", disse o porta-vos da diplomacia do emirado, Majed al-Ansari.

A Lista Conjunta alegou no comunicado divulgado hoje que o Likud e outros partidos aliados de Netanyahu lançaram uma campanha para "tentar inabilitar todos os partidos árabes".

"Fomos votar em números sem precedentes e alcançámos um resultado histórico, tanto para a nossa comunidade como para todo o campo democrático", assinalou o partido árabe, que terá conquistado 12 dos 120 assentos.

Aos resultados da Lista Conjunta somam-se os sete lugares já atribuídos ao Ra'am.

"Nenhuma campanha de difamação pode apagar a conquista da população árabe e nenhuma tentativa de semear dúvidas sobre a legitimidade do nosso voto pode alterar a vontade do eleitorado", declarou.

Afirmando que os árabes não vão renunciar ao direito de influenciar o futuro de Israel, a Lista Conjunta apelou ao bloco da oposição que "deixe de colaborar com as mentiras vis de Netanyahu e dos racistas" da extrema-direita.

"Queriam-nos pequenos e fracos. Em vez disso, encontraram-nos grandes e fortes. (…) Sem nós, a vitória é impossível, mas connosco, é perfeitamente possível", acrescentou.

A Lista Conjunta referia-se à possibilidade de o bloco liderado por Eisenkot poder chegar ao Governo em caso de acordo com os partidos árabes, dado que somariam 67 dos 120 mandatos do novo parlamento.

Eisenkot acusou Netanyahu de orquestrar uma operação para deslegitimar os resultados das eleições por não ter conseguido a maioria necessária para governar.

"Netanyahu, que se habituou a gerir a realidade através de mentiras, da manipulação da opinião pública e de semear o caos, está a orquestrar, juntamente com os parceiros, uma operação de influência ilícita dirigida contra os cidadãos israelitas", afirmou.

Eisenkot disse que a manobra de Netanhyahu "é inaceitável e deve ser categoricamente rejeitada", segundo um comunicado citado pela agência espanhola EFE.

Sobre a possível ingerência estrangeira, afirmou que seria "inaceitável e de uma gravidade extrema", especialmente se fosse do Qatar, que acusou de "financiar e apoiar a organização Hamas".

Leia Também: Bloco de Netanyahu mantém liderança com 97% dos votos apurados

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