PCP avisa Montenegro que não vai conseguir limitar direito à manifestação
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, avisou hoje, no Porto, que o governo de Montenegro não vai levar avante a limitação do direito à manifestação, classificando os atos desta madrugada em Portugal de "violência", "arrogância" e "incapacidade".
"O governo não pense que vai levar por diante a sua intenção de limitar o direito à manifestação. Está muito enganado relativamente a isso. Nem isso, nem vai destruir da questão central. A questão central é a resposta do que não dá ao problema da habitação", declarou Paulo Raimundo, secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP).
À margem da manifestação "Salários, direitos, paz", iniciativa organizada pelo PCP no âmbito do Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/ Esquerda Verde Nórdica (GUE/NGL) - A Esquerda no Parlamento Europeu, que decorre hoje no Porto, Paulo Raimundo classificou a carga policial desta madrugada contra as pessoas no Porto e em Lisboa como atos de "violência", "arrogância e incapacidade".
"Arrogância e incapacidade. Incapacidade de resposta aos problemas da habitação(…). Estamos a falar da habitação, mas que é uma gotinha de água na situação global do país. Isso expressa-se também no aumento do custo de vida", observou o líder dos comunistas.
Segundo Paulo Raimundo o problema da habitação não está apenas no preço da habitação e no preço das rendas.
"O problema também está nisso, mas também no outro facto fundamental, que é que os salários não acompanham nada disso".
Questionado pela Lusa sobre o que é que o PCP iria fazer na Assembleia da República, sobre a "arrogância" e "incapacidade", Raimundo ironizou dizendo que Portugal tem um "primeiro-ministro que pelos vistos se apresenta como calado".
"Nós temos um primeiro-ministro que pelos vistos apresenta-se como calado, mas ele não está calado, porque por um lado, como disse, está a tomar a palavra na iniciativa política, numa lei dos despejos e do aumento das rendas, e por outro lado, a polícia não fez a intervenção que fez por sua auto recriação. A polícia entreviu da forma como entreviu por decisão política".
"Não se pode falar num governo calado. Ora, o que nós temos que fazer, fizemos sempre o que fomos condenados a fazer, é denunciar esta prática, esta capacidade e esta arrogância. Faremos nos próximos dias na Assembleia da República, faremos um debate do Orçamento [do Estado], e também com medidas em alternativa àquelas que o governo quer impor".
"É um governo que decidiu que a forma de lidar com o problema da habitação é, por um lado, piorar a legislação para não responder ao problema das pessoas e, por outro, reprimir as manifestações, pôr em causa o direito à manifestação. Isto é completamente inconcebível e o governo não pense que vai levar por diante a sua intenção de limitar o direito à manifestação", reiterou.
A PSP dispersou hoje de madrugada, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.
Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.
Segundo a PSP, registaram-se, no total, 11 feridos, cinco em Lisboa e seis no Porto, e 31 detidos por desobediência (25 em Lisboa e seis no Porto). Em comunicado, a Acampada de Lisboa refere dezenas de feridos, 37 dos quais no Porto.
Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.
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