PCP e Livre exigem que Governo deixe cair lei das rendas
Em declarações aos jornalistas, o comunista Miguel Tiago defendeu que o Governo deve "entrar em contacto com as organizações" do protesto "para encontrar respostas" para os problemas de habitação.
"Sendo um problema real, o que é preciso é uma solução política", defendeu, considerando que "merece censura qualquer tipo de recurso à força para resolver um problema que é real".
Para o PCP, disse, a primeira condição para o diálogo deverá ser o Governo retirar o que classificou como a "lei dos despejos", referindo-se ao processo legislativo que visa alterar a lei das rendas, que está na especialidade na Assembleia da República.
Para a líder parlamentar do Livre, Isabel Mendes Lopes, "a base de diálogo é a retirada desta lei do arrendamento".
"Essa lei tem de cair, depois podemos sim conversar sobre medidas para aumentar a habitação", disse a deputada, considerando que o Governo tem dito que está disposto a dialogar mas na prática "o diálogo é inexistente".
Quanto a uma possível intervenção policial para dispersar os manifestantes que decidirem ficar no Rossio, com as suas tendas, para lá da hora autorizada, Isabel Mendes Lopes disse que o receio existe, mas qualquer intervenção violenta será inaceitável.
"Não é a forma como em Portugal se lida com protestos democráticos", disse, admitindo levar a questão novamente ao Presidente da República.
Para Catarina Martins, eurodeputada do BE, "o melhor é não repetir erros", referindo-se à carga policial sobre manifestantes no Rossio, na semana passada.
A ex-coordenadora do Bloco de Esquerda salientou que os protestos decorrem "há 22 dias consecutivos" pelo direito à habitação, afirmando ter "muito orgulho neste país que está a lutar", o que "demonstra a gravidade da crise".
"E é isto tem de ter resposta", disse, frisando que, para além de "não permitir uma lei do Governo que vai piorar o inferno na habitação", é preciso acabar com os privilégios fiscais dos fundos imobiliários e impor tetos às rendas.
Milhares de pessoas arrancaram pouco depois das 17:00 do Largo Camões em direção ao Rossio, em Lisboa, para reivindicar o direito à habitação, uma semana depois de uma grande manifestação que juntou também muitos manifestantes na Avenida da Liberdade.
No Rossio é esperada mais uma noite de acampada, com montagem de tendas, um objetivo reafirmado à Lusa por Feijó, um dos porta-vozes da Acampada de Lisboa, apesar das intenções já reiteradas pela PSP de não o permitir.
A resistência a essa ordem da PSP dependerá da vontade expressa pelos manifestantes, acrescentou.
Em bloco, os manifestantes desceram pelo Largo do Chiado contornando a zona das esplanadas para depois reentrar na Rua Garrett, seguindo até ao destino.
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