PE debate ciberataques a supermercados e reservas de sangue
O Parlamento Europeu vai discutir na próxima semana os ciberataques a supermercados e a reservas de sangue registados em vários países europeus, que já provocaram a perda de toneladas de alimentos.
O debate, sobre a "resiliência na proteção de infraestruturas críticas e cadeias de abastecimento sociais", vai realizar-se na próxima quarta-feira, durante a chamada minissessão do Parlamento Europeu (PE), em Bruxelas, segundo o programa provisório hoje divulgado.
O agendamento deste debate foi aprovado na Conferência dos Presidentes – que reúne a presidente da instituição, Roberta Metsola, e os líderes de oito grupos políticos europeus – e, entre os partidos que o tinham solicitado, estava o CDS-PP.
Em comunicado, a eurodeputada do CDS-PP Ana Miguel Pedro salienta que, desde 11 de outubro, vários países europeus "têm sofrido ataques informáticos que permitem mudar à distância as temperaturas de equipamentos de refrigeração e congelamento".
"Em França, cerca de 700 supermercados foram afetados na primeira vaga, causando perdas de alimentos e prejuízos económicos. Nos dias 01 e 02 de novembro, uma nova vaga atingiu lojas em vários Estados-membros, incluindo Portugal", salienta.
O CDS-PP frisa que "a situação ficou ainda mais grave quando foi confirmado um incidente que afetou equipamentos de refrigeração em três instalações francesas, onde estavam guardados produtos sanguíneos e amostras para transfusões e produção de medicamentos".
Ana Miguel Pedro considera que estes acontecimentos mostram que os ataques cibernéticos "já não se limitam ao roubo de informação ou à interrupção de serviços digitais" e podem agora "colocar em risco serviços dos quais a saúde e a segurança dos cidadãos dependem diretamente".
"Quando atores maliciosos conseguem alterar remotamente as condições de conservação de alimentos ou de produtos sanguíneos, estamos perante uma ameaça direta à proteção das infraestruturas críticas e ao funcionamento dos serviços essenciais", alerta.
Nesse sentido, o CDS-PP defende que a Comissão Europeia "deve esclarecer a dimensão real destes incidentes, as vulnerabilidades exploradas e a capacidade da União para prevenir, detetar e responder a situações deste tipo".
Além de servir para pedir estes esclarecimentos ao executivo comunitário, Ana Miguel Pedro considera que o debate no Parlamento Europeu também deverá permitir abordar "os sucessivos alertas de bomba que têm perturbado a aviação civil europeia".
A eurodeputada do CDS-PP sustenta que a "conjugação dos ciberataques a sistemas de refrigeração e das ameaças à aviação civil exige uma avaliação urgente, ao mais alto nível, da capacidade da UE para prevenir, detetar e responder a ameaças que afetam diretamente a vida quotidiana, a saúde e a segurança dos cidadãos".
Nas últimas semanas, registaram-se ciberataques em países como Portugal, França, Bélgica, Suécia e Países Baixos, durante os quais foram alteradas as temperaturas de sistemas de refrigeração, que afetaram supermercados, talhos ou pequenas lojas de bairro, tendo estragado toneladas de produtos alimentares.
Em Portugal, foram afetados sete supermercados Intermarché, com alterações na temperatura de frigoríficos e arcas, que levaram à perda de produtos em três destas superfícies.
Entretanto, na quarta-feira, o Instituto Francês do Sangue também anunciou que tinha sido alvo de um ciberataque, no qual foram aumentadas as temperaturas de câmaras frigoríficas de três bancos de sangue. O instituto referiu, no entanto, que transferiu a tempo as reservas de sangue, não tendo nenhuma sido perdida.
Hoje mesmo, o Kremlin considerou "absurdas" as acusações de que a Rússia estará envolvida nos ciberataques que têm afetado nas últimas semanas mútiplos sistemas de refrigeração de supermercados europeus.
"Estas afirmações são absurdas" afirmou o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, durante a conferência de imprensa telefónica diária, acrescentando que "como sempre, carecem de argumentos e provas".
Peskov criticou os países europeus por fazerem acusações "infundadas" contra a Rússia, considerando que esta prática se está a tornar uma tendência persistente.
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