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Perto de 100 pessoas protestam em Évora contra a crise na habitação

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Minuto Fonte Externa
23 de outubro de 2026 • 3 min de leitura
Perto de 100 pessoas protestam em Évora contra a crise na habitação

Perto de 100 pessoas voltaram hoje a ocupar a Praça do Sertório, em frente à Câmara Municipal de Évora, em protesto contra a crise na habitação no país e para exigir respostas do Governo.

 

A concentração arrancou por volta das 18:20 e, de forma simbólica, foi montada uma tenda junto do microfone onde os participantes se vão revezando em intervenções sobre o tema.

Na tenda, constatou a agência Lusa no local, estão colocados cartazes nos quais se podem ler mensagens como "Acabe-se com a violência policial", "O povo é soberano" ou "Eu já não aguento este 'primeiro' egoísta".

Entre um discurso e outro, os manifestantes têm-se feito ouvir, gritando palavras de ordem como "A casa é para morar, não é só para especular" ou "Luís não sejas egoísta, partilha as tuas casas porque a crise está à vista".

Em declarações à agência Lusa, Bento Anastácio, um dos promotores da iniciativa, que já decorreu na terça-feira e se repete hoje, explicou que "as pessoas e a cidade estavam desejosas de vir para a rua" e apenas se limitou a "dar um impulso".

"Estamos aqui como estivemos na terça-feira e voltaremos a estar pelo mesmo motivo e solidários com as acampadas de Lisboa e do Porto", justificou.

O mesmo promotor argumentou que "as casas estão a preços inadmissíveis" e defendeu a recuperação do edificado urbano de Évora, cujo centro histórico é Património da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), e disponibilização das casas às famílias que delas precisam.

Os estudantes da Universidade de Évora também foram lembrados por Bento Anastácio, que referiu que enfrentam "situações complicadas em termos de habitação", devido aos elevados preços das rendas na cidade.

A necessidade de reabilitação de um edifício militar público que está abandonado na cidade, cujo projeto não 'sai da gaveta', foi igualmente referida.

"Há anos que se fala na sua reabilitação", lembrou Bento Anastácio, que também não esqueceu o turismo em Évora: "Os turistas têm os hotéis para ficar e as casas da cidade são para as pessoas, mas o que acontece é que não há casas para habitação e os hotéis estão vazios".

Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas motivaram também concentrações noutras cidades, como Évora, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.

As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.

A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, com uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e em um polícia.

Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz no dia 27.

Leia Também: Dezenas na vigília solidária contra despejo de família em Lisboa

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