PM pede a manifestantes: "Não sejam egoístas". Em 2020 JSD também acampou
O Movimento Pela Habitação está desde sábado em protesto na cidade do Porto tendo, esta madrugada, a Polícia de Segurança Pública agido sobre a concentração - numa ação que terá feito cerca de 40 feridos. Luís Montenegro pediu esta quinta-feira que os manifestantes "não sejam egoístas" quanto à tranquilidade e à ordem pública, mas há quem recorde que, em 2020, a Juventude Social Democrata (JSD) acampou no ministério do Ensino Superior em protesto "contra a falta de camas para estudantes universitários".
"Espero que os partidos políticos, movimentos associativos, organizações portuguesas, não caiam na tentação, por razões meramente egoísticas da sua própria ação, importarem para Portugal climas de instabilidade, de contestação, que não tenham de facto respaldo na sociedade portuguesa. E a manifestação que está a falar é elucidativa sobre isso, sobre a dimensão […] daquilo que é legítimo, que é protestar, que é exprimir uma posição política face àquilo que é dominante no país", declarou Luís Montenegro esta quinta-feira em resposta aos jornalistas.
Falando à chegada à reunião do Conselho Europeu, em Bruxelas, no dia em que o Movimento pela Habitação denunciou a forte intervenção policial, o chefe de Governo vincou: "Nós não temos essa instabilidade, nós não temos esse nível de conflitualidade e não podemos cair no erro de considerar que escassas pessoas dão agora uma ideia de um país que parece que está em turbulência, não está".
"Eu não tenho elementos para poder emitir uma opinião, [mas] aquilo que me parece é que as nossas forças de segurança são extraordinariamente criteriosas e respeitadoras destes princípios, o princípio da necessidade, da adequação e da proporcionalidade", adiantou.
Após estas declarações, personalidades como o deputado do Bloco de Esquerda Fabian Figueiredo, o comentador Daniel Oliveira, o socialista Tiago Barbosa Ribeiro e Pedro Faria, do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social, recorreram ao X para recordar que, em 2020, a Juventude Social Democrata (JSD) fez uma ação semelhante, na qual acampou junto ao ministério do Ensino Superior.
"Contra a falta de camas para estudantes universitários", a juventude partidária, à altura liderada por Alexandre Poço, acampou de madrugada em frente ao edifício, exigindo "saber onde estão as 2.500 camas prometidas pelo Governo do Partido Socialista".
Quando é a JSD a acampar à noite já não há problema? https://t.co/58WJGc8pUn
— Fabian Figueiredo (@ffigueiredo14) October 15, 2026
Dá coerência pic.twitter.com/KJiewYBn85
— Daniel Oliveira (@danielolivalx) October 15, 2026
A este protesto da JSD podemos acrescentar acampamentos de professores, acampamentos de bombeiros e acampamentos de estudantes do ensino superior, apenas para referir alguns nos últimos anos, tanto no Porto como em Lisboa. Sem esquecer, claro, aqueles que apelaram a outras formas de "desobediência civil" durante a pandemia e foram a julgamento por isso, como André Ventura e outros deputados do CH.
— Tiago Barbosa Ribeiro (@tbribeiro) October 15, 2026
E este? https://t.co/1Rz9Xb93GF
— Pedro Faria (@PedroMFaria) October 15, 2026
Em Outubro de 2020 a Juventude Social Democrata monta tendas à porta do Ministério do Ensino Superior, questionando onde é que estavam as 2500 camas prometidas para estudantes pelo governo Ps. Zero carga policial ou indignação. Manifestação do bem. https://t.co/Nwt6sudWnj
— Sou apenas mais um (@filipitsch) October 15, 2026
lmaooooooooo
— mafi (@buzamas) October 15, 2026
Para esta tarde, recorde-se, está prevista uma nova assembleia popular marcada pelo Movimento Pela Habitação para definir as medidas a tomar depois da carga policial registada de madrugada. Pelas 18 horas, uma hora antes da assembleia popular, já estavam cerca de 50 jovens na praça Praça D. João I.
[Notícia atualizada às 20h16]
As imagens do cartaz que coloca o Porto "à venda" (e dezenas reúnem-se)Os protestos no Porto pelo direito à habitação continuam esta quinta-feira, após as tendas colocadas terem sido retiradas. Para hoje, está prevista uma nova assembleia popular para definir as medidas a tomar depois da carga policial registada de madrugada, que causou quase 40 feridos, dois dos quais em estado grave.
Notícias ao Minuto | 19:05 - 15/10/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
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