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"Pode ser que acorde". Coro canta à porta de Seguro nas Caldas por reação

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Minuto Fonte Externa
27 de outubro de 2026 • 4 min de leitura
"Pode ser que acorde". Coro canta à porta de Seguro nas Caldas por reação

As manifestações pelo direito à habitação somam mais de 15 dias e não há, até hoje, sinal da posição do Presidente da República relativamente à luta que tem levado milhares de pessoas à rua.

 

Na segunda-feira, os pedidos pela intervenção do chefe de Estado ganharam um novo tom e foram mesmo bater à porta do próprio António José Seguro.

O Coro Social do Bairro, um projeto artístico das Caldas da Rainha, liderado pelo maestro Tiago da Neta, ocupou as escadas de acesso à porta de entrada do edifício e entoou alguns temas apelando a uma posição do Presidente.

"Eu vi este povo a lutar para a sua exploração acabar […] Mesmo no silêncio, sabemos cantar [...] Somos resistência, somos unidade popular", entoaram pelas 22h, em referência àquele que é considerado um hino de intervenção, da autoria de José Mário Branco.

O momento, contam os moradores locais, demorou apenas alguns minutos e decorreu sem incidentes, mas houve espaço para alguns cantares mais diretos e críticos ao comportamento de Seguro.

"Mostra a cara/Abra a boca Senhor Presidente/Quebra o silêncio que nos morre/Que nos mata/Mostra a cara/Sai de casa, vem ‘pras ruas/Nossas ruas, nossas praças/Acampadas", cantaram ainda, segundo o Jornal das Caldas, em referência a versos que fazem parte de uma declaração lida por manifestantes no Rossio, em Lisboa, durante as recentes manifestações.

Assista a este momento na galeria acima.

As manifestações pela habitação começaram a 10 de outubro, no Porto. A intervenção policial contra os manifestantes tem gerado consternação e acabaram por 'atiçar' ainda mais as manifestações que entretanto alargaram-se a outras zonas do país, como Lisboa, Faro, Leiria ou Braga.

A capital tornou-se entretanto no palco mais audível do protesto e de confrontos entre manifestantes e agentes da polícia de intervenção, com dezenas de feridos e detidos a registar.

Muitos acreditam estar a reviver um tempo de ditadura em que o direito à manifestação não está a ser cumprido e exigem que perante este ataque à democracia o principal responsável do país se pronuncie sobre o que está a acontecer.

"O seu silêncio neste momento, Exmo. Sr. Presidente da República, não acalma a violência. Só a sua palavra pode repor a tranquilidade pública e a primazia do respeito pelos direitos cívicos dos cidadãos", consideram, por exemplo, elementos da Comissão de Honra de António José Seguro, que chegaram mesmo a escrever-lhe uma carta e a pedir a sua intervenção.

Na missiva assinada por nomes como Capicua, Helena Roseta, Pedro Abrunhosa, Susana Peralta ou Valter Hugo Mãe, começa por se salientar que, "nas últimas semanas, milhares de cidadãos têm saído à rua em manifestações legítimas pelo direito à habitação e contra o aumento do custo de vida", sendo que estes protestos, "invariavelmente pacíficos, têm sido recebidos com um aparato policial desnecessário e desproporcional que, na madrugada deste domingo, e já não pela primeira vez, degenerou em cargas policiais pela calada da noite contra manifestantes não violentos, provocando dezenas de detidos e um número ainda indeterminado de feridos."

Os manifestantes têm invocado o direito constitucional à manifestação para não acatar as ordens de remoção de tendas ou de dispersão dadas pela PSP, que, por sua vez, fundamenta a sua atuação num decreto-lei de 1974.

Do outro lado, acusa-se os manifestantes de desobediência, por alegadamente terem resistido quando, em 20 de outubro, a PSP retirou as tendas da Acampada de Lisboa da Praça D. Pedro IV, vulgarmente conhecida como Rossio.

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