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Praça D. João I faz minuto de silêncio pelos manifestantes agredidos

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Minuto Fonte Externa
25 de outubro de 2026 • 3 min de leitura
Praça D. João I faz minuto de silêncio pelos manifestantes agredidos

A assembleia popular da Acampada do Porto fez hoje um minuto de silêncio na Praça D. João I pelos manifestantes que foram agredidos pela polícia esta madrugada.

 

 
Depois do minuto de silêncio foi posta a votação e aprovada por unanimidade a "continuação de resistência pacífica".

Também foi aprovado por unanimidade um apelo ao Presidente da República para que tome uma posição sobre a violência que foi cometida contra os manifestantes.

A assembleia popular, que começou às 19:49 com os tradicionais conselhos de segurança, foi marcada pelos testemunhos das pessoas que foram vítimas das agressões policiais.

"Gritem se houver uma emergência e sentem-se para vermos onde está a ocorrência. Depois do que aconteceu ontem, quem levou lesões na cabeça por favor estar atento. É preciso cuidar uns dos outros porque isto é uma maratona e não um 'sprint'. Não vão para casa sozinhos e não levem nada que vos identifique de terem estado na manifestação", apelou uma das porta-vozes da Acampada do Porto.

Foi recordado o artigo 45º da Constituição da República Portuguesa, onde se diz que os cidadãos têm direito a manifestação sem autorização, e foi pedida a demissão do presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte.

Os milhares de populares gritaram também pela demissão do primeiro-ministro, Luís Montenegro, quando um dos intervenientes disse que Montenegro não conseguia ouvir.

"Luís: Tu podes não ouvir, mas o povo unido jamais será vencido. Olha Luís, tu não ouves, mas este grito é de todos. Tu podes continuar sem ouvir, também não vais mais conseguir dormir, porque nós somos todos antifascistas", declarou Duarte, um dos intervenientes na assembleia popular.

Marta, 50 anos, com dois filhos na casa dos 20 anos testemunhou hoje que cresceu livre e que durante 50 anos as vozes da ditadura estiveram fechadas, mas que esta "madrugada tudo mudou".

"Acordámos todos num mundo novo, onde os fascistas andam sem máscara e as pessoas que lutam pela liberdade de se manifestarem têm de colocar máscaras para não serem agredidos. (…) Foi a morte da democracia que assistimos. Não nos vão tirar a liberdade, que outros com tanto esforço conquistaram", disse Marta, que foi aplaudida pelos milhares de populares, que gritaram "25 de Abril sempre, fascismo nunca mais".

A PSP dispersou hoje de madrugada, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.

A polícia interveio depois de os manifestantes não terem acatado as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.

Segundo a PSP, registaram-se, no total, 33 manifestantes feridos, 27 dos quais em Lisboa e seis no Porto.

Em comunicado, a Acampada de Lisboa refere dezenas de feridos, 37 dos quais no Porto.

Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.

[Notícia atualizada às 20h46]

Leia Também: Protesto pelo direito à habitação em Lisboa critica atuação da PSP

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