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Presidente do IHRU recuou, mas Livre avisa: "Não basta"

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Minuto Fonte Externa
23 de outubro de 2026 • 4 min de leitura
Presidente do IHRU recuou, mas Livre avisa: "Não basta"

O porta-voz do Livre Jorge Pinto condenou hoje as "declarações inaceitáveis e vergonhosas" do presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) e o silêncio do primeiro-ministro sobre as manifestações contra a crise no setor.

 

"As declarações [do presidente do IHRU] foram vergonhosas, foram inaceitáveis e foram em boa medida até provocatórias, perante tudo aquilo que está a acontecer no país", criticou Jorge Pinto, em declarações à agência Lusa à margem de uma visita ao "Amadora BD", um festival de banda desenhada, na Amadora, distrito de Lisboa.

O dirigente do Livre reagia ao facto de o presidente do IHRU, Benjamim Pereira, ter dito na quinta-feira não saber "se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício" da anterior, recordando que os seus próprios avós emigraram "para poderem ter uma casa".

Ainda na quinta-feira o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, considerou infelizes as palavras do responsável, que entretanto, hoje, em comunicado, admitiu não ter sido feliz e recuou.

Para Jorge Pinto, este recuo "não basta", sustentando que as palavras do responsável do IHRU demonstraram que as pessoas que estão "no topo do Estado" e têm "uma palavra a dizer sobre o que fazer para solucionar os problemas da habitação" mostram estar afastados dos "problemas concretos dos portugueses".

"Se o senhor presidente do IHRU disse aquilo que disse ontem, é também porque não tem a real noção da importância que o IHRU tem de ter para dar resposta a estes problemas", acusou.

Jorge Pinto rejeitou ainda que os jovens sejam "o bode expiatório para a falta de ação política por parte do Governo" na habitação.

"Nós recusamos ter toda uma geração que, contrariamente aos seus pais, contrariamente aos seus avós, não conseguiu ter acesso a uma habitação a um preço que consiga pagar, mesmo trabalhando, e mesmo trabalhando muitas horas", salientou.

Interrogado sobre se Benjamim Pereira deveria demitir-se ou ser demitido, Jorge Pinto remeteu para as palavras de Miguel Pinto Luz, que afirmou já ter pedido explicações sobre as declarações do responsável, devendo tirar as suas conclusões.

Jorge Pinto criticou ainda o facto de o primeiro-ministro, Luís Montenegro, não se ter pronunciado sobre o tema nos últimos dias, marcados por vários protestos em Lisboa e no Porto.

"Nós vimos uma atitude muito belicosa, muito provocatória por parte de membros do Governo nos primeiros dias quando os portugueses se manifestavam nas ruas, vimos depois uma tentativa de corrigir esta mensagem quase com um pedido de desculpas em relação àquilo que os próprios tinham dito anteriormente, e da parte do senhor primeiro-ministro nada é dito", criticou.

O porta-voz do Livre salientou, contudo, que é importante "não nos desviarmos do essencial", insistindo na criação de um Fundo Público de Habitação para "em dez anos duplicar a habitação pública no país", um Serviço Nacional para a Habitação e a existência de um IHRU "que seja parte da solução e não parte do problema".

"Nós estamos a falar de um IHRU que, às vezes, até com autarquias a disponibilizar terrenos, não tem a capacidade para lhes dar algum fim que seja o fim de uma habitação a preço acessível. Ora, isso acontece certamente por muitas razões, nomeadamente falta de meios profissionais e o Livre já várias vezes propôs o reforço do IHRU em termos de recursos humanos, mas para além disso é preciso alguém na presidência do IHRU que não seja alguém lá colocado por afinidade partidária, como é o caso do atual presidente", argumentou.

Interrogado sobre o porquê de ter marcado hoje presença no "Amadora BD", um festival de banda desenhada criado nos anos 90, Jorge Pinto considerou importante "valorizar a Cultura, num momento em que ela é muitas vezes desvalorizada" e realçou a importância de investir neste setor no âmbito do próximo Orçamento do Estado.

Presidente do IHRU: "Aceito não ter sido feliz em todas as expressões"

O presidente do IHRU, Benjamim Pereira, admitiu que suas declarações sobre o sacrifício dos jovens para comprar casa não foram felizes, após o ministro Miguel Pinto Luz pedir esclarecimentos.

Beatriz Vasconcelos com Lusa | 10:30 - 23/10/2026

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