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PS escreve a PAR para "repor verdade" sobre acusações de Hugo Soares

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Minuto Fonte Externa
3 de novembro de 2026 • 4 min de leitura
PS escreve a PAR para "repor verdade" sobre acusações de Hugo Soares

O líder parlamentar do PS pediu hoje ao presidente da Assembleia da República a "reposição da verdade dos factos" sobre as acusações que o social-democrata Hugo Soares fez ao secretário-geral socialista durante o debate orçamental.

 

Numa carta enviada a José Pedro Aguiar-Branco, a que a agência Lusa teve acesso, Eurico Brilhante Dias refere que, no encerramento do debate do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027), o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, "dirigiu acusações pessoais de 'hipocrisia política'" a José Luís Carneiro e "afirmou que, enquanto ministro da Administração Interna, não procedeu a valorização dos suplementos das forças de segurança", além de o acusar de ter feito "declarações contra" estes profissionais.

Em causa, uma das propostas anunciadas pelo líder do PS para a fase da especialidade do OE2027 com o objetivo de valorizar os suplementos de escala, turno e piquete das forças de segurança.

"Não pretendendo responder à invetiva pessoal no mesmo registo. Considera o Grupo Parlamentar do PS, porém, indispensável repor a verdade dos factos, tanto por respeito pela Assembleia da República como pelos homens e mulheres que prestam serviço na PSP e na GNR", justificou.

Para o dirigente do PS, "a liberdade do debate parlamentar compreende naturalmente o direito a critica política", mas não pode servir para "atribuir a um deputado posições que não assumiu" nem "para confundir medidas remuneratórias distintas" ou ainda "para apagar decisões públicas e objetivamente verificáveis".

"O Grupo Parlamentar do PS solicita a vossa excelência que a presente comunicação fique associada, pelos meios regimentais que entenda adequados e possíveis, a documentação relativa a sessão plenária de 28 de outubro de 2026, para efeitos de reposição da verdade dos factos", pede Eurico Brilhante Dias a Aguiar-Branco.

Ao longo das cinco páginas da carta, o socialista afirma que "os factos demonstram" que houve "uma valorização efetiva das remunerações e do suplemento por serviço e risco durante os Governos do PS" e que quando Carneiro estava à frente da Administração Interna "foram negociadas e concretizadas medidas remuneratórias com impacto direto nos rendimentos dos profissionais da PSP e da GNR".

"A proposta agora anunciada respeita a suplementos diferentes — escala, turno e piquete — que não são atualizados desde 2009", argumenta.

De acordo com Eurico Brilhante Dias, as declarações recentes do secretário-geral do PS sobre a atuação da polícia nas manifestações pela habitação no Porto e em Lisboa "não responsabilizaram nem desconsideraram os profissionais das forças de segurança, tendo, pelo contrário, colocado expressamente a responsabilidade no plano da direção política".

No debate na generalidade do OE2027, Hugo Soares classificou como "falta de vergonha" a proposta do secretário-geral do PS para aumentar suplementos das forças e serviços de segurança e acusou a direção socialista de saudades da "Gerigonça" ao visitar a manifestação pela habitação.

O líder parlamentar do PSD disse que o Parlamento está perante "o expoente máximo da hipocrisia política quando José Luís Carneiro anuncia que vai defender na especialidade o aumento dos suplementos das forças e serviços de segurança".

"José Luís Carneiro era ministro da Administração Interna. Com a caneta na mão, assistia às greves e às manifestações das forças e serviços de segurança porque não aumentou os suplementos de risco, mas vem agora aqui dizer que, com este Governo a governar, é que iria ter a coragem de aumentar os suplementos", apontou Hugo Soares.

O presidente da bancada do PSD foi ainda mais longe. Dirigindo-se ao secretário-geral do PS elevou o seu tom de voz e declarou: "Tenha vergonha".

"Agora que está na oposição, que já não tem a caneta na mão, atreve-se a dizer que vai aumentar os suplementos das forças e serviços de segurança. Mas o senhor deputado acha que há algum agente da PSP, ou algum militar da GNR acredita em si?", questionou.

Leia Também: "Decisão é para aquele caso. Se fosse uma ação popular, podia ser outra"

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