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PS quer que Moedas comprove impacto do Volta, mas proposta é rejeitada

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Minuto Fonte Externa
3 de novembro de 2026 • 5 min de leitura
PS quer que Moedas comprove impacto do Volta, mas proposta é rejeitada

A Assembleia Municipal de Lisboa rejeitou hoje a proposta do PS para que o executivo liderado por Carlos Moedas (PSD) apresentasse um relatório sobre o impacto do sistema de embalagens Volta, inclusive na higiene urbana e nas respostas sociais.

 

"O lixo de Lisboa não chegou desde abril deste ano dentro de uma lata de 10 cêntimos", afirmou o deputado do PS Hugo Gaspar, referindo-se à implementação do sistema Volta.

Reconhecendo que há pessoas a remexer nos contentores e a deixar o lixo espalhado na procura de embalagens Volta, o socialista criticou o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), pela falta de respostas para o problema do lixo e pelo "passa-culpas", inclusive à anterior governação do PS e às juntas de freguesias.

"Em 2026, encontrou finalmente o culpado perfeito. Não vota, não protesta e vale 10 cêntimos: é uma garrafa de plástico", apontou Hugo Gaspar.

Afirmando que a proposta do PS propõe "o contrário da propaganda, medir antes de culpar", o socialista especificou que o objetivo é elaborar-se um relatório acerca da higiene urbana em Lisboa, entre 2021 e 2026, freguesia a freguesia, com informação sobre os meios que a câmara tinha antes do Volta e os que tem hoje, bem como dados sobre eventuais impactos em pessoas com dependências ou em situação de vulnerabilidade social.

O socialista reforçou que a recomendação proposta "não pede a ninguém que goste do Volta, pede que se olhe para os números", acrescentando que "só tem medo dos números quem já escolheu o culpado".

"O presidente da câmara fala muito de dignidade humana, diz ter imagens de pessoas a entrar nos caixotes do lixo e chamou-lhes uma vergonha. É, mas a vergonha não é de quem lá entra, é de uma cidade onde 10 cêntimos chegam para que alguém precise de entrar, e essa cidade governa Carlos Moedas há cinco anos", declarou o eleito do PS.

Todos os pontos da recomendação foram rejeitados, com votos contra de PSD, CDS-PP, IL, BE, PCP e PEV, abstenção do Chega e votos favoráveis de PS, Livre e PAN.

Do PSD, Luís Almeida Mendes disse que "o Volta privatiza o benefício da recuperação da embalagem, mas municipaliza os custos colaterais da sua procura", referindo que é esta situação que Moedas contesta ao pedir o fim deste sistema.

"É evidente que alguma informação é necessária para avaliarmos a boa ou a má a execução do Volta", expôs Francisco Camacho, do CDS-PP, considerando que, no entanto, a proposta do PS passa por uma resposta "burocrática" ao tema.

Rejeitando a necessidade de um estudo sobre o impacto do Volta, José Pedro Barros, da IL, acusou o PS de estar "mais preocupado com Carlos Moedas do que com o sistema Volta" e de querer fazer "uma espécie de pedido de auditoria à higiene urbana na câmara", sem incluir as 24 juntas de freguesia.

Rui Cruz, do Chega, disse que a proposta do PS pretende "embaraçar o presidente da câmara" e defendeu que "Lisboa não precisa de mais um estudo sobre o problema, precisa de alguém que o resolva".

Já Sofia Lisboa, do PCP, criticou o modelo do sistema volta, afirmando que é uma opção política que pretende "transformar a política ambiental num novo espaço de negócio em que os custos são socializados e os benefícios económicos continuam a ser apropriados pelos mesmos grupos privados", enquanto Cláudia Madeira, do PEV, defendeu "uma verdadeira economia circular que privilegie a redução de resíduos na origem".

Do Livre, Rui Silva reforçou a necessidade de uma política de economia circular alicerçada nos princípios da "redução, reutilização e reciclagem dos resíduos", entendendo como "benéfica e positiva" a implementação do sistema Volta.

Sob proposta do PAN, "por uma rede eficiente, acessível e moderna de sanitários na cidade", a assembleia decidiu, com votos contra de PSD, CDS-PP e Chega, recomendar à câmara que informe qual o ponto de situação relativo à execução da rede de sanitários públicos, inclusive quantas das 75 cabines sanitárias do contrato de concessão com a JCDecaux e dos 19 sanitários públicos de aquisição direta municipal se encontram efetivamente instaladas e operacionais.

Com a abstenção de Livre, PCP e PEV, a assembleia aprovou a proposta do CDS-PP para salvaguarda, valorização e divulgação do legado científico, técnico e patrimonial do Plano Geral de Drenagem de Lisboa (PGDL), com o deputado do PS Nuno Saraiva a recusar a "propaganda" e afirmar que a história do PGDL não começou com Carlos Moedas (PSD), sublinhando que esta obra "tem um percurso de quase duas décadas, com diferentes protagonistas e decisões fundamentais tomadas por sucessivos executivos municipais".

Por unanimidade, foi aprovado um voto de pesar do PSD pelas vítimas do acidente ferroviário de Urda, em Toledo (Espanha), que ocorreu na quarta-feira, 28 de outubro, e que provocou 115 mortos.

Moedas insiste no fim do Volta e PS acusa-o de não ter peso no Governo

O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, defendeu o fim do sistema Volta, enquanto o PS acusou o autarca de não ter peso no Governo que apoia, alegando que não foi ouvido pela ministra do Ambiente.

Lusa | 18:03 - 20/10/2026

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