PSD quer ouvir António Costa e Luís Neves na comissão de inquérito
O PSD quer chamar à comissão de inquérito aos mandatos do ministro da Administração Interna à frente da Polícia Judiciária (PJ) 20 personalidades, incluindo Luís Neves, o anterior primeiro-ministro António Costa, a ministra da Justiça e as duas antecessoras.
Os sociais-democratas pedem ainda uma extensa lista de documentos, entre os quais vários relativos à Operação Influencer, investigação do Ministério Público ainda em curso e cuja divulgação pública esteve na base da demissão do anterior primeiro-ministro, António Costa, que em novembro de 2023 chefiava um Governo de maioria absoluta do PS.
De acordo com os requerimentos do PSD a que a Lusa teve acesso, os sociais-democratas querem ouvir na comissão parlamentar de inquérito (CPI) forçada pelo Chega o ministro Luís Neves, o sócio-gerente da Construbarcelos, o atual diretor da PJ Carlos Cabreiro e outros atuais e antigos dirigentes desta polícia.
O ex-diretor do DCIAP, Albano Morais Pinto, a ex-secretária-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), Graça Mira Gomes, o chefe de gabinete do ex-primeiro-ministro António Costa, Vítor Escária, as ex-ministras da Justiça Francisca Van Dunem e Catarina Sarmento e Castro, bem como a atual titular da pasta, Rita Alarcão Júdice, integram também o rol de pedidos de audição do PSD.
Já quanto a pedidos de documentos, os sociais-democratas dividem-nos por temas, solicitando à PJ a "identificação dos responsáveis por cada ato de apreensão, guarda, transferência, contratação, autorização e fiscalização abrangido pelo objeto da CPI", dados sobre os bens apreendidos na Operação Pacoba e quanto a criptoativos e desaparecimento das armas, bem como "a fuga de informações sensíveis", caso em que solicitam informações à PJ, Serviço de Informações de Segurança (SIS) e ao SIRP.
O PSD quer ainda informação relativa aos contratos da Construbarcelos com a PJ, dados sobre o eventual conflito de interesses da relação do atual ministro com aquela empresa e mais detalhes quanto à "tutela governativa e a Operação Influencer".
Neste último caso, os sociais-democratas querem ter acesso, por exemplo, a "correspondência, comunicações, informações, atas, pareceres jurídicos, despachos e demais documentação" relativas ao "afastamento/não participação inicial da PJ na Operação Influencer, incluindo a identificação da entidade responsável pela decisão, os esclarecimentos eventualmente solicitados pela tutela ao diretor nacional da PJ e as respostas recebidas"
Ainda sobre este caso, o PSD pede documentos que permitam apurar "se a tutela questionou Luís Neves (à data diretor da PJ) quando o fez, que resposta recebeu e quais foram as consequências".
Ao contrário do PS, por exemplo, o PSD não pediu as audições nem do primeiro-ministro, Luís Montenegro, nem do atual e ex-procuradores-gerais da República, Amadeu Guerra e Lucília Gago, respetivamente.
O inquérito foi forçado pelo Chega na sequência das polémicas que vieram a público nos últimos meses envolvendo Luís Neves, relacionadas com obras numa propriedade do agora ministro feitas por uma empresa que celebrou contratos com a PJ (a Construbarcelos), ou o atrelado com químicos apreendidos numa operação que ficou guardado nas instalações dessa empresa.
A comissão parlamentar de inquérito para "avaliação da intervenção de Luís Neves enquanto diretor da PJ durante todos os seus mandatos (2018-2026) e eventual responsabilidade de membros do Governo que o nomearam e tutelaram" tomou posse a 14 de outubro e as próximas reuniões estão agendadas para hoje (de mesa e coordenadores) e para terça-feira (reunião ordinária), duas horas antes do arranque da discussão na generalidade do Orçamento do Estado para 2027.
O líder do Chega, André Ventura, preside a esta CPI.
Leitão Amaro: "As regras quando são incumpridas têm de ter consequências"O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, afirmou hoje, no Porto, que as regras, quando incumpridas, devem ter consequências. As declarações foram feitas durante uma cerimónia em que também esteve presente o ministro da Administração Interna, Luís Neves.
Lusa | 13:54 - 26/10/2026Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
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