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Quase 200 obras de Alberto Caetano em exposição em Bragança

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Minuto Fonte Externa
5 de novembro de 2026 • 4 min de leitura
Quase 200 obras de Alberto Caetano em exposição em Bragança

Quase 200 obras do colecionador e arquiteto Alberto Caetano, doadas ao Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, em Lisboa, vão estar expostas, a partir de hoje, no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, em Bragança.

 

O diretor do Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, António Meireles, revelou à Lusa que, das 367 obras doadas pelo colecionador ao Museu do Chiado, 186 vão estar em Bragança, numa exposição que será inaugurada hoje.

A mostra conta ainda com quatro peças que foram emprestadas ao centro de Bragança por Aberto Caetano, em abril: "O Colecionador #01", de 2021, da dupla Sara & André, "Também eu deixo o relógio parar. E deixo as grades fechar. Porque isto não é uma prisão. Mas sabemos como fugir", de 2018, de Horácio Frutuoso, uma obra (sem título) da série "Caretos", de 1984, de João Vieira, e um pastel de óleo sobre tela, de 2020, de Rui Castanho.

"Esta exposição é extraordinária na sua diversidade e pela amplitude que tem das obras que a compõem, que compreende obras desde o início do século XX até à contemporaneidade, aqui há poucos anos, sendo esta diversidade, o número de autores, a qualidade dos artistas que compreende realmente um marco fundamental daquilo que é a arte contemporânea", sublinhou António Meireles.

Esta é a primeira exposição póstuma de Alberto Caetano, que morreu no mês passado. Uma "homenagem não apenas à pessoa que faleceu, mas também à figura do colecionador que perdura através da sua coleção", podendo ser apreciadas obras que o representam, como uma pintura do desenhador Abel Manta.

"Nós temos, não apenas as obras que o arquiteto escolheu, mas também aquelas que de alguma maneira o representam e que compreendem esta diversidade de uma coleção e daquilo que é o sentir e a expressão que o próprio colecionador vai imprimindo à coleção que vai adquirindo ao longo dos anos", rematou o diretor do Centro de Arte Contemporânea de Bragança.

Alberto Caetano nasceu em Lisboa, em 1959, e licenciou-se em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa, em 1983, onde viria a lecionar entre 1992 e 2011, cerca de duas décadas, desenvolvendo em paralelo atividade de desenho, artes plásticas e projeto.

Desde meados dos anos 1980, trabalhou nas áreas de recuperação, arquitetura e design, mantendo ateliê próprio em Lisboa, desde 1990, com especial atenção à relação entre vivência poética do espaço, rigor construtivo e precisão do desenho, tendo participado também em exposições coletivas e individuais de artes plásticas entre 1975 e 1991.

Ao longo de cinco décadas, construiu uma coleção particular de arte moderna e contemporânea, fruto de uma relação próxima e continuada com muitos artistas.

Esta coleção reúne obras de artistas como Ana Jotta, Gaëtan, Miguel Ângelo Rocha, Luísa Correia Pereira, Rui Chafes, Pedro Cabrita Reis, Mário Cesariny, Joaquim Rodrigo, Manuel Lapa, Salette Tavares, Jorge Martins e Diogo Evangelista, entre outros.

Em março deste ano, o Governo atribuiu-lhe a Medalha de Mérito Cultural na sequência da doação, "sem contrapartidas", ao Estado português, da sua coleção, como indicou, na altura, o Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, em comunicado, elogiando este "gesto filantrópico, raro pela sua dimensão e impacto no panorama cultural nacional", que veio reforçar "o património artístico do país e afirma Alberto Caetano como figura de referência da vida cultural portuguesa".

Alberto Caetano morreu no passado dia 04 de outubro.

A exposição "A vida pode ser feliz contigo. Obras da doação de Alberto Caetano" vai estar patente até 14 fevereiro de 2027 no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, em Bragança.

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Lusa | 16:07 - 05/11/2026

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