Realizador acusa UE de ser cúmplice de crimes de colonos israelitas
O realizador palestiniano, Basel Adra, acusou a União Europeia de ser cúmplice dos crimes cometidos pelos colonos na Cisjordânia ao continuar a permitir a importação de produtos oriundos de terras ocupadas.
Embora admita que a União Europeia (UE) possa ser um dos atores que podem agir no sentido de impedir Israel de continuar a violência na Cisjordânia, o realizador vencedor do Óscar de melhor documentário em 2025 com "No Other Land" acusou os 27 de permitirem a compra de produtos aos colonos.
"Os vossos governos e as vossas empresas são insensíveis e mantêm relações estreitas com estes colonos", disse durante o festival de cinema DocLisboa.
"O grau de cumplicidade da Europa com este sistema é repugnante", continuou.
O realizador, que é também ativista, afirmou que a organização não-governamental (ONG) Global Eco, com quem trabalha, monitorizou as empresas europeias que "investem e compram produtos dos colonatos e dos colonos".
"Há centenas de milhões de euros todos os anos da Europa a ir parar aos cofres destes colonos. Compram-se os legumes, os citrinos, as tâmaras e constroem-se fábricas nas nossas terras", denunciou Basel Adra.
O palestiniano acusou ainda os diplomatas europeus de fazerem sempre o mesmo tipo de declarações em que defendem uma solução de dois Estados e a condenar os colonatos ilegais, mas não fazerem nada, na prática.
"Todos os vossos governos são bons nestas declarações, mas o que é que as declarações podem fazer face às vossas ações? Estão a dar poder a esses colonos", defendeu.
O realizador acusou ainda a UE de permitir os colonos viajarem livremente pela Europa.
"Os vossos aeroportos estão abertos para eles", continuou, acrescentando que os colonos podem simplesmente "passar férias" na Europa e eventualmente voltar para "continuar a cometer crimes" contra os palestinianos.
Ainda assim, defendeu que países como Espanha, Países Baixos e o Reino Unido estão a dar passos importantes para condenar a violência dos colonos israelitas.
Na segunda-feira, o Governo britânico ameaçou com sanções as empresas e indivíduos que apresentem propostas nos concursos de construção dos colonatos israelitas E1, na Cisjordânia ocupada.
Num comunicado, o ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Ed Miliband, argumentou que a decisão do Governo israelita de abrir concursos para colonatos E1 constitui "uma ameaça direta" à chamada solução de dois Estados e sublinhou que foi "amplamente condenada pela comunidade internacional".
O projeto E1, situado a leste de Jerusalém, prevê a construção de cerca de três mil habitações numa zona estrategicamente sensível, que, segundo críticos, cortaria a Cisjordânia e dificultaria a viabilidade de um futuro Estado palestiniano.
O primeiro concurso, aberto em agosto, prevê a construção de 1.200 habitações.
O Governo britânico anunciou no mês passado a intenção de legislar para proibir a importação de bens provenientes de colonatos ilegais e de atuar contra empresas que os financiem ou viabilizem.
Adra referiu ainda que, além do impacto que as ações dos colonos têm na economia da Cisjordânia, o objetivo deles é roubar a cultura dos locais.
Muitos destes colonos, segundo o realizador, são menores a quem é permitido o porte de arma.
Na quinta-feira, o ministro da Segurança Nacional israelita, Ben Gvir, anunciou ter acrescentado mais 11 colonatos israelitas situados no território palestiniano da Cisjordânia à lista dos locais onde os residentes podem obter licenças de porte de arma.
O anúncio, a cinco dias das eleições legislativas de terça-feira em Israel, está contido numa nota do partido que lidera, o Poder Judaico, de extrema-direita e ultranacionalista, em que Ben Gvir, ele próprio um colono, dá conta do alargamento da lista a colonatos do norte da Cisjordânia, alguns dos quais "de criação recente", cujos residentes passam a poder requerer uma arma.
Os colonatos - ilegais à luz do Direito internacional - agora incluídos na lista são Asif, Ganim, Har Bazak, Homesh, Kadim, Shira, Havat Yair (Lehi), Maoz Tzvi (Maoz), Havat Gilad (Nezer Shomron), Sahlav e Eival.
Três destes colonatos - Ganim, Kadim e Homesh - foram criados recentemente, após terem sido desmantelados em 2005, no âmbito do plano de retirada parcial de Israel dos Territórios Palestinianos Ocupados, promovido pelo então primeiro-ministro Ariel Sharon, que incluiu também o desmantelamento de todos os colonatos da Faixa de Gaza.
Em fevereiro de 2023, o parlamento israelita alterou a Lei da Retirada, permitindo aos israelitas regressar aos colonatos.
Num relatório divulgado em julho, a organização Peace Now indicou que o atual Governo, descrito como o mais à direita na história de Israel, aprovou 104 colonatos, dos quais 38 novos, o início da construção de 50 outros e a criação de 16 bairros em colonatos já existentes, que passaram a ter estatuto independente.
O executivo de Netanyahu flexibilizou os critérios para a concessão de licenças de porte de arma após o ataque do Hamas, a 07 de outubro de 2023.
Só no primeiro ano foram concedidas 217.000 novas licenças, numa população de 10 milhões de habitantes, segundo dados apresentados em junho de 2025 no parlamento israelita, não estando ainda disponíveis números atualizados.
Leia Também: Realizador denuncia aumento da violência por colonos na Cisjordânia
Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
Todos os direitos autorais e de propriedade intelectual pertencem ao veículo de origem. Leia a matéria completa na fonte original
Leia Também
Ver todas as notícias →Comentários (0)
Nenhum comentário publicado ainda.
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião sobre esta matéria!
Deixe seu comentário
Seu e-mail não será divulgado publicamente. Comentários passam por moderação antes da publicação.