Pular para o conteúdo
Publicidade

Ressaca eleitoral em Israel trouxe o impasse que ninguém queria

M
Minuto Fonte Externa
28 de outubro de 2026 • 6 min de leitura
Ressaca eleitoral em Israel trouxe o impasse que ninguém queria

O dia seguinte às legislativas em Israel está a confirmar o impasse previsto nas projeções, que indicam a ausência de uma maioria clara para formar governo, dando lugar a uma torrente de análises e especulações sobre os próximos passos.

 

Quando o apuramento dos resultados oficiais já contabilizou 84% dos votos, o Likud, do primeiro-ministro, Benjamin Netanyah, liderava a contagem, seguido pelo Yashar! do ex-chefe das forças armadas Gadi Eisenkot, mas, em qualquer dos casos a menos de metade do caminho dos 61 lugares para controlar o parlamento (Knesset)

Após as primeiras projeções, Netanyahu destacou que "o Likud é o maior partido de Israel", mas não sinalizou os passos que pretende dar a seguir, referindo apenas que defende um "governo de maioria judaica e sionista", sem apoio dos partidos árabes, que devem alcançar uma votação recorde.

O chefe do Governo não consegue porém formar uma maioria com os seus aliados de extrema-direita e ultraortodoxos, ao contrário do chamado bloco da mudança, abrangendo quatro forças de oposição de base sionista, que poderão encontrar uma saída para este impasse se tiverem o apoio dos 19 deputados que os partidos árabes deverão eleger.

Na ressaca de uma participação eleitoral recorde de 77,7% em 25 anos e sete pontos acima dos valores de 2022, Telavive apresenta-se uma cidade bastante mais calma do que a agitação festiva que acompanhou todo a jornada eleitoral em feriado nacional e até menos movimentada do que num dia normal de trabalho.

Entre os cartazes, todos azuis, dos principais candidatos às eleições nas ruas, praças e parques do centro económico de Israel e com forte implantação dos partidos de oposição, os habitantes da cidade encontram-se na expectativa sobre as próximas etapas pós-eleitoral, depois de, na véspera, terem ficado colados aos televisores e telemóveis às 22:00 locais (menos duas horas em Lisboa) para conhecer as projeções inciais, que confirmaram o impasse já sugerido nas anteriores sondagens.

As artérias de Telavive ficaram vazias, à medida que a noite se abateu e as lideranças reagiam com cautela aos resultado, deixando também em espera lugares emblemáticos como a praças Habima, Rabin ou dos Reféns.

Tinham passado apenas três dias, quando este último local acolheu no sábado cerca de cem mil pessoas estimadas pela organização para exigir uma comissão de inquérito aos ataques do grupo islamita Hamas, em 07 de outubro de 2023, também reclamada pela oposição e até agora recusada por Netanyahu. O megaprotesto não teve no entanto sequência na noite eleitoral.

A generalidade dos analistas vê essencialmente um empate a partir dos dois blocos que emergiram dos resultados: as fações pró e anti-Netanyahu, que podem encontrar uma forma acrobática de colaborar de algum modo entre si, apesar da agressividade demonstrada pelas partes durante a campanha e das expressivas manifestações das bases de apoio da oposição, que clamam mudança.

Esta tensão atingiu um ponto alto há poucos dias quando o opositor Avigdor Lieberman (Israel é a Nossa Casa) apresentou uma queixa na justiça contra Netayahu por traição, no seguimento de notícias que davam conta da sua tentativa de arrastar Israel para uma guerra com o Irão e fugir deste modo a uma derrota eleitoral, um suposto plano apenas travado pelo chefe do exército.

A alternativa poderá residir num entendimento da oposição com os partidos árabes para destronar o chefe do Governo e a terceira opção é marcar novas eleições.

"O povo votou pela mudança. A coligação falhada perdeu a confiança do povo. O público israelita votou contra a permanência de Netanyahu como primeiro-ministro", declarou Eisenkot na reação às projeções das principais cadeias televisivas, acrescentando que fará tudo ao seu alcance "para formar um governo sionista que sirva todos".

O chefe da coligação governamental afirmou pelo lado que Israel precisa de "um governo forte, nacionalista e de direita" e que é isso que vai procurar a seguir, sem apontar como tenciona fazê-lo nem declarar explicitamente vitória.

Ao contrário da prudência demonstrada pelos líderes dos partidos próximos do poder ou da oposição e da calma nervosa que marca o país no dia seguinte às eleições, as comunidades árabes, que representam 21% da população, reagiram efusivamente aos primeiros resultados, depois de uma participação histórica próxima dos 80%

As duas formações árabes concorrentes, Lista Conjunta e partido Ra'am, podem alcançar 19 deputados, o que as torna num potencial fiel da balança, desde que os partidos sionistas de oposição aceitem e ultrapassem também divergências de fundo relacionadas a guerra na Faixa de Gaza, a situação na Cisjordânia ocupada ou o reconhecimento do Hamas como organização terrorista.

Apenas a coligação de centro-esquerda Democratas não se opõe à entrada dos árabes do governo, ao contrário do que disseram durante a campanha o Yashar, de Eisenkot, a aliança Juntos, dos ex-primeiros-minitros Naftali Bennett e Yair Lapid e o Avigdor Lieberman.

Mas estes dirigentes mostram menos reservas à possibilidade de formação de um governo minoritário com apoio dos árabes no Knesset, o que abriria um caminho para o atual beco sem saída político, mas também para a incerteza um executivo altamente instável que poderia cair na primeira crise parlamentar.

Numa manhã em que a bolsa de Telavive caiu e a moeda nacional, Shekel, se desvalorizou, os holofotes passam para o Presidente israelita, Isaac Herzog, e na dúvida sobre qual dos líderes irá convidar para constituir governo: Netanyahu como o provável mais votado ou Eisenkot se encontrar uma saída para o labirinto em que o país hoje se encontra.

Leia Também: França mantém apoio à solução de dois Estados após eleições em Israel

Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.

Todos os direitos autorais e de propriedade intelectual pertencem ao veículo de origem. Leia a matéria completa na fonte original

Publicidade

Gostou? Compartilhe

Mande para os amigos ou publique nas suas redes.

Comentários (0)

Nenhum comentário publicado ainda.

Seja o primeiro a compartilhar sua opinião sobre esta matéria!

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será divulgado publicamente. Comentários passam por moderação antes da publicação.