Rússia e Ucrânia saúdam vencedores das eleições sérvias
A Rússia e a Ucrânia saudaram hoje os vencedores das legislativas sérvias, com Moscovo a manifestar vontade de manter a cooperação como o aliado dos Balcãs e Kyiv a elogiar um "novo capítulo" naquele país.
"Quanto à nova força política que chegará ao poder após as eleições, queremos expressar a nossa esperança de que as suas ações sejam construtivamente orientadas para o desenvolvimento das relações", afirmou o porta-voz da presidência russa (Kremlin), Dmitry Peskov, em declarações divulgadas pela agência de notícias TASS.
Ao mesmo tempo, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, aplaudia a mudança de rumo tomada pela Sérvia, desejando "sucesso, desenvolvimento real e relações cordiais com a comunidade europeia".
A "Lista dos Estudantes", um movimento criado na sequência do colapso de uma cobertura na estação ferroviária de Novi Sad mas que se transformou numa mobilização nacional de protesto contra o sistema, venceu no domingo as eleições legislativas antecipadas na Sérvia.
A iniciativa, liderada pelo cardiologista e professor em Novi Sad Ilija Srdanovic, obteve quase 52% dos votos, ficando mais de 12 pontos percentuais à frente da coligação liderada pelo até agora Presidente, Aleksandar Vucic.
Moscovo, que mantinha uma relação próxima com o poder sérvio, apelou à nova força política para que "compreenda que a cooperação com a Rússia beneficia a Sérvia".
"Da nossa parte, pretendemos continuar a fazer tudo o que for possível para fomentar o desenvolvimento das relações com Belgrado", disse Peskov, pedindo às novas autoridades sérvias que retribuam esta aproximação.
A relação entre a Sérvia e a Rússia tem-se baseado numa proximidade cultural e religiosa que foi consolidada quando a Rússia se recusou a reconhecer a independência do Kosovo declarada em 2008, vetando no Conselho de Segurança da ONU o reconhecimento pleno do novo país.
Além disso, a Sérvia tem uma dependência energética relativamente a Moscovo, já que a petrolífera nacional é maioritariamente detida pela russa Gazprom Neft o que conseguiu ao país dos Balcãs contratos vantajosos de fornecimento de gás russo.
Em compensação, Belgrado recusou-se firmemente a aplicar sanções económicas à Rússia após a invasão da Ucrânia, tornando-se um refúgio europeu para milhares de empresários russos.
Uma situação que Zelensky espera, claramente, ver mudar agora, com o fim da hegemonia do Partido Progressista Sérvio de Vucic, no poder desde 2014.
"Ocorreram mudanças na Sérvia: a vitória da Lista Estudantil. E isto, marca, sem dúvida, um novo capítulo na história do país e do seu povo", enfatizou o Presidente ucraniano.
"Estamos prontos para expandir ainda mais a nossa cooperação. Esperamos que todas as esperanças do povo sérvio se concretizem", sublinhou.
Embora a contagem final dos votos ainda não tenha sido anunciada, as projeções apuradas com mais de 96% da votação apontam para uma maioria absoluta histórica do movimento estudantil no parlamento sérvio, que conta com um total de 250 assentos.
O cenário já levou Aleksandar Vucic a assumir a derrota, pondo fim a mais de uma década de domínio político.
Vucic atribuiu a sua derrota à "revolução" lançada com "o apoio direto dos países europeus" e ao "'deep state' americano", que, segundo concluiu, se opõe ao Presidente Donald Trump.
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