Rússia retoma ataques na região de Kherson após fim de trégua
A Rússia retomou hoje os ataques na região sul de Kherson, após o fim de uma trégua localizada que permitiu retirar residentes de uma cidade afetada por uma crise humanitária, anunciaram as autoridades ucranianas.
"Pelas 08h00 [hora local, 10h00 em Lisboa], os ocupantes russos atacaram um carro com um 'drone' no bairro de Korabelny", um distrito de Kherson, provocando dois feridos, disse a autoridade municipal, segundo a agência francesa AFP.
O cessar-fogo na região de Kherson, onde o rio Dnieper separa os territórios controlados pela Rússia dos que estão sob controlo da Ucrânia, começou na terça-feira e terminou no domingo à noite.
Trata-se da trégua mais longa observada pelos beligerantes desde o início da guerra, em 2022.
A pausa nos ataques, que, de forma rara, foi respeitada por ambos os lados, tinha sido anunciada pela primeira-dama norte-americana, Melania Trump, para permitir retirar os habitantes de Olesky.
A cidade sob ocupação russa, localizada a cerca de 10 quilómetros a leste de Kherson, enfrentava há semanas graves carências de água, alimentos e medicamentos devido aos combates, e as estradas encontravam-se minadas.
Kyiv tinha anunciado que entre 2.000 e 3.000 habitantes de Olesky não recebiam fornecimentos regulares de alimentos e medicamentos devido às hostilidades em Kherson, cujo terço norte é ainda controlado pelo exército ucraniano.
As autoridades ucranianas informaram que a maioria dos autocarros com os habitantes retirados de Olesky se dirigiu por vontade própria para território ucraniano.
Enquanto Kyiv acusou Moscovo de ser o culpado da situação por bloquear os acessos à cidade, o Presidente russo, Vladimir Putin, responsabilizou os ucranianos pelo que classificou de "catástrofe humanitária".
Os combates e os ataques continuaram de ambos os lados da linha da frente noutros setores durante toda a trégua em Olesky.
Em Moscovo, o porta-voz do Kremlin (presidência), Dmitri Peskov, saudou hoje o sucesso da operação humanitária em Olesky, sem prever por agora novas tréguas semelhantes.
"Constatamos efetivamente o sucesso do cumprimento desta operação humanitária", declarou Peskov, citado pela agência espanhola EFE.
Peskov disse que a Rússia valorizava a coordenação alcançada pelas partes na preparação da operação, em particular entre os provedores de justiça dos dois países.
Peskov destacou ainda o papel de Melania Trump na trégua em Olesky, mas disse que, por agora, não havia planos para iniciativas idênticas.
Afirmou também que, para Moscovo, "em cada caso concreto os interesses das pessoas e o abastecimento humanitário estarão em primeiro lugar".
Sobre acusações de Kyiv de que as forças russas aproveitaram a trégua para se reagrupar na região de Kherson, Peskov remeteu a questão para o Ministério da Defesa, mas admitiu que os ucranianos tenham feito o mesmo.
"É uma prática totalmente habitual em situações como esta", afirmou.
A Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022 para "desmilitarizar e desnazificar" o país vizinho, como anunciou Putin na altura, e reclama a anexação de parte do território ucraniano, incluindo a região de Kherson.
Outra das exigências de Moscovo é a retirada das forças da NATO dos países vizinhos, por considerar as tropas dos aliados como uma ameaça para a Rússia.
A invasão da Ucrânia desencadeou um conflito que tem sido considerado como o mais mortífero na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), embora se desconheça o número exato de vítimas, tanto militares como civis.
A Rússia já tinha invadido a Ucrânia em 2014, quando anexou a península da Crimeia.
A Ucrânia foi uma república da União Soviética desde a fundação do bloco comunista controlado por Moscovo, em 1922, até à sua dissolução em 1991.
Leia Também: Quase 170 civis retirados da região de Kherson durante missão em Oleshky
Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.
Todos os direitos autorais e de propriedade intelectual pertencem ao veículo de origem. Leia a matéria completa na fonte original
Leia Também
Ver todas as notícias →Comentários (0)
Nenhum comentário publicado ainda.
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião sobre esta matéria!
Deixe seu comentário
Seu e-mail não será divulgado publicamente. Comentários passam por moderação antes da publicação.