Pular para o conteúdo
Publicidade

Salão português de Chino luta por tradições em comunidade envelhecida

M
Minuto Fonte Externa
26 de outubro de 2026 • 5 min de leitura
Salão português de Chino luta por tradições em comunidade envelhecida

O salão português de Chino, cidade no sul da Califórnia a 60 quilómetros de Los Angeles, é o polo agregador de uma comunidade luso-americana que prosperou durante várias gerações e agora luta para manter vivas as tradições junto dos mais novos.

 

"Financeiramente estamos bem. A nível do que se pode fazer para se manter as nossas tradições, as nossas culturas, eu aí estou mais preocupado, porque a migração estancou", disse à Lusa Marco da Rocha, português que chegou a Chino em 2013.

"Aqueles que emigraram nos anos 60, 70 estão reformados, já não estão tanto envolvidos na casa", apontou. "E eu vejo que temos um grupo de mais novos grande, que gosta de vir para aqui, gosta das culturas, das tradições e tudo, mas já não tem aquela coisa para ver as coisas serem mantidas".

Fundado em 1959, o Chino Valley Divino Espírito Santo Club tem um salão de grandes dimensões que pode ser arrendado para eventos e tem uma agenda já preenchida para 2026 e 2027. Os principais eventos da comunidade portuguesa são a Festa do Divino Espírito Santo e a Festa de Nossa Senhora de Fátima, além das danças de Carnaval, a banda filarmónica, a matança do porco e as Sopas. E, é claro, os jogos da Seleção Nacional de futebol.

"O que está a manter a nossa cultura aqui são as artes performativas", disse à Lusa Abel Dutra, filho de imigrantes açorianos que fala português e é um dos membros mais ativos da comunidade. "A filarmónica, o grupo folclórico e danças de Carnaval sempre foram muito importantes para nós, ainda estão ativos e são provavelmente o que vai manter a fundação da nossa comunidade daqui para a frente".

Um dos trabalhos que está a ser feito é nas danças de Carnaval, com um grupo de adolescentes e outro de crianças de origem portuguesa. "A nossa esperança é que, com o que estamos a fazer com a banda, o folclore, o Carnaval, e também com o Espírito Santo e as festas, que possamos fazer com que essas gerações mais jovens gostem disto, se sintam responsáveis e tenham orgulho na sua cultura, para fazerem parte dela e continuar assim também", apontou.

A comunidade já foi maior e hoje tem cerca de 600 pessoas. Inicialmente, o que atraiu sobretudo açorianos para Chino foi a agricultura e as leitarias, mas com o passar do tempo muitos desses negócios mudaram-se para o vale central da Califórnia, Texas, Idaho e outros. Agora, os portugueses trabalham nas escolas, jardinagem, construção, pintura e imobiliário.

"Esta era uma comunidade de gente portuguesa que organizou aqui o salão, e era um ponto de encontro para eles poderem falar a sua língua", salientou Marco da Rocha. "A nossa geração já não tem este problema, porque já fala bem o inglês e os nossos filhos têm os seus amigos que são americanos".

O imigrante acredita que, dentro de 20 anos, nenhuma das festas será celebrada em português, ao contrário do que acontece agora. "A única coisa que a gente pede é que participem e que estejam disponíveis, para disponibilizar o seu tempo, para manter a casa a andar, para que não se percam as nossas tradições".

Gerard Batista, bisneto de imigrantes açorianos, ainda se lembra de Chino antes da fundação do salão português e frisou que são as atividades sociais que mantêm a comunidade vibrante.

"É a cola e o que faz com que as pessoas voltem, porque querem participar, querem ver e desfrutar", considerou. Batista mostrou-se otimista quanto ao futuro, apesar dos desafios.

"Talvez tenhamos de vender melhor o nosso peixe e mostrar o valor do que a nossa cultura tem para oferecer, o que podemos oferecer em termos de relações, comida, entretenimento", continuou.

Tio por afinidade de Devin Nunes, o ex-congressista lusodescendente próximo do presidente Donald Trump, Gerard Batista continua a envolver-se nos eventos e até a viajar para festas de outras comunidades portuguesas.

Considera que o salão português é a sua segunda casa e que está para durar, mostrando-se o mais otimista de todos. Mas tanto Abel Dutra como Marco da Rocha estão empenhados em passar o testemunho aos mais jovens e mostrar-lhes a relevância da herança cultural portuguesa.

"Tenho fé de, desde que nós continuemos a incentivar a juventude e ensinar-lhes a nossa cultura e tradições através da banda, do grupo folclórico, do carnaval, os frutos das nossas tradições, que eles irão mantê-las, desfrutar delas e fazer a sua parte para continuar", disse Dutra.

"Nós entendemos que a língua portuguesa pode diminuir nos próximos anos", reconheceu. "Está tudo bem, desde que consigam manter as raízes portuguesas".

Leia Também: Há poucos lusodescendentes em cargos públicos no sul da Califórnia

Conteúdo importado automaticamente via RSS de Minuto.

Todos os direitos autorais e de propriedade intelectual pertencem ao veículo de origem. Leia a matéria completa na fonte original

Publicidade

Gostou? Compartilhe

Mande para os amigos ou publique nas suas redes.

Comentários (0)

Nenhum comentário publicado ainda.

Seja o primeiro a compartilhar sua opinião sobre esta matéria!

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será divulgado publicamente. Comentários passam por moderação antes da publicação.