Seguro alerta que protecionismo ameaça estabilidade económica mundial
O Presidente da República considerou hoje que a estabilidade económica mundial depende do acesso mútuo a mercados e defendeu também alianças entre a Europa e as Américas para a regulação da inteligência artificial (IA).
António José Seguro discursava no 3.º Fórum Euro-Américas, uma iniciativa do Conselho da Diáspora Portuguesa, no Campus de Carcavelos da Universidade Nova de Lisboa, no município de Cascais, distrito de Lisboa.
No início da sua intervenção, o chefe de Estado referiu-se aos Estados Unidos da América como "um importante parceiro" no quadro da NATO e a nível bilateral, "numa relação que tem vindo a aprofundar-se, não apenas ao nível económico, mas também ao nível académico, artístico, cultural, científico e tecnológico".
"Mas olhar para o Atlântico é olhar também para o Canadá, para as Caraíbas e para esse imenso espaço da América Latina, do qual nos sentimos tão próximos e no qual naturalmente sobressai o Brasil, que é o nosso país irmão", acrescentou.
O Presidente da República descreveu o atual contexto global como "um mundo em rápida e profunda transformação", com "águas turvas de incerteza, com vagas de divisão e marés de instabilidade", em que "a ordem mundial sofre tensões geopolíticas que se refletem na ressurgência de tendências protecionistas, na fragmentação das cadeias de abastecimento globais e ainda em conflitos que testam os limites do direito internacional".obg
Segundo o chefe de Estado, neste contexto é preciso, "mais do que nunca, o reforço da cooperação entre a Europa e as Américas", através de "entendimentos consensuais, parcerias concretas e alianças duradouras" para "responder às tendências de divisão, incerteza e instabilidade".
No seu discurso, focou-se na segurança económica, segurança energética e segurança tecnológica.
Sobre este último ponto, apontou "a concentração num reduzido número de atores do controle de produção e do uso de tecnologia" como um fator que coloca "riscos para a liberdade, para o pluralismo e para a própria soberania dos Estados" e que recomenda "cautelas em matéria de segurança e autonomia".
No plano económico, António José Seguro afirmou: "A estabilidade económica mundial depende da nossa capacidade de manter mercados abertos, mas também resistentes, porque a fragmentação do comércio global não penaliza apenas as grandes economias, ela inibe a inovação, encarece os bens essenciais e mina a confiança dos investidores".
"Precisamos de acordo para garantir o acesso mútuo aos mercados, mas também para fixar padrões exigentes de desenvolvimento económico e social, de sustentabilidade ambiental, que sirvam de referência global", defendeu.
O chefe de Estado salientou o acordo União Europeia/Mercosul quanto ao qual, disse, "Portugal tem sido uma das vozes mais empenhadas na defesa da conclusão deste processo histórico", que vê "como uma aliança política estruturante, capaz de criar um mercado de milhões de consumidores fundados em valores comuns".
"É no atual contexto de reconfiguração global que a relação entre a Europa e as Américas assume uma urgência geoestratégica, porque nesta nova era das relações transatlânticas, a segurança económica constrói-se cada vez mais através de redes de proximidade", acrescentou.
Quanto à energia, defendeu que a "complementaridade entre a Europa e a América oferece oportunidades de parceria em áreas como os biocombustíveis e o combustível sustentável de aviação, a gestão de redes e armazenamento, os minerais críticos e os mercados de carbono".
Dois dias antes do início da 30.º Cimeira Ibero-Americana, em Madrid, em que vai participar juntamente com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, o Presidente da República realçou que Portugal "manifestou já a sua disponibilidade de liderar a Secretaria 'pro tempore' desta comunidade no biénio 2029-2030".
Esse anúncio foi feito pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, no fim de setembro.
"É nosso desejo contribuir, quer para uma maior união interna da comunidade, quer para uma maior projeção externa da mesma. Com a sua vocação atlântica universalista, Portugal continua a querer ser uma ponte entre a Europa e as Américas", afirmou António José Seguro.
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