Síria acusa Hezbollah de ataque frustrado a refinaria em Homs
As forças governamentais sírias acusaram hoje uma célula ligada ao movimento xiita libanês Hezbollah de estar envolvida num alegado ataque frustrado contra uma refinaria em Homs (centro), denúncia entretanto desmentida pelo movimento pró-iraniano.
As Forças de Segurança Interna da Síria anunciaram, na sua conta na rede social X, o lançamento de uma operação conjunta com a Direção-Geral de Informações para impedir "um plano terrorista por parte de uma célula afiliada à milícia Hezbollah que teria como alvo uma refinaria de Homs".
Segundo as autoridades, a operação ocorreu após as equipas envolvidas terem levado a cabo operações de vigilância e resultou na detenção de dois supostos membros do grupo, identificados como M.S. e B.Sh.
Em imagens publicadas nas redes oficiais, as autoridades sírias apresentaram também engenhos explosivos que iriam ser utilizados para a execução do ataque e que foram apreendidos.
Por seu lado, o Hezbollah afirmou, num comunicado emitido pelo seu gabinete de imprensa, que "não tem presença nem ligações com a Síria e não participa em nenhuma atividade que atente contra a segurança e a estabilidade do país".
Neste sentido, argumentou que as suas fileiras estão concentradas em fazer frente a Israel e recordou que este país está a intensificar as suas ações tanto no Líbano como na Síria, pelo que apelou a que não se lançassem acusações que servissem os interesses israelitas.
Após a queda do regime de Bashar al-Assad em dezembro de 2024, o Governo interino sírio tem acusado o Hezbollah de estar presente no seu território e anunciaram o desmantelamento de células ligadas ao movimento xiita.
O Hezbollah negou em todas as ocasiões ter presença na Síria, onde, de facto, manteve milhares de combatentes durante o regime de Assad para apoiar o ex-presidente sírio na guerra civil que abalou o país desde 2011.
O movimento xiita libanês apoiou Bashar al-Assad durante o conflito contra grupos que, na altura, se opunham ao regime de Damasco e dos quais emergiram as atuais autoridades sírias.
Na segunda-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros sírio, Asaad al-Shibani, recebeu em Damasco uma delegação libanesa, da qual fazia parte o ministro do Trabalho libanês, Muhamad Haidar, que é membro do Hezbollah.
Embora seja habitual, nesta ocasião o grupo de responsáveis não compareceu a um encontro protocolar com o Presidente interino sírio, Ahmad al-Sharaa, durante a sua estadia na cidade.
O objetivo da reunião passava por desbloquear novas possibilidades de cooperação bilateral, sobretudo em matéria de segurança.
Os dois países protagonizaram uma aproximação após a mudança de poder na Síria, na sequência de anos de relações tensas, motivadas pela ocupação do território libanês por tropas sírias durante quase três décadas, que terminou em 2005.
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