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"Também sei distinguir os manifestantes, não são todos iguais"

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Minuto Fonte Externa
29 de outubro de 2026 • 4 min de leitura
"Também sei distinguir os manifestantes, não são todos iguais"

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, falou esta quinta-feira sobre a crise da habitação e os protestos que têm vindo a acontecer nas últimas semanas, apontando que ouve e vê o que se está a passar e que, por isso, também sabe distinguir os manifestantes.

 

"Estamos a dar resposta. Isto significa 'as pessoas vão todas para casa, não têm direito a manifestar-se'? Claro que não! As pessoas têm direito a dar a sua opinião. Eu sei ver e ouvir - e, já agora, também sei distinguir os manifestantes, que não são todos iguais, que não pensam todos da mesma maneira", afirmou, em declarações aos jornalistas em Sátão, no distrito de Viseu.

Já antes, Montenegro tinha dito que fala com representantes do povo, com o Presidente da República e com organizações: "Não temos nenhum problema em falar".

O governante referiu, ainda, que os jovens são uma preocupação do Executivo, exemplificado com o Porta 65 e outras condições dadas no âmbito da habitação.

Quanto aos protestos? "Com certeza que há protestos - temos um problema acumulado ao longo de muito tempo", admitiu.

Questionado sobre se sentia alguma pressão face a esta crise, respondeu: "Não é uma questão de sentir pressão. É uma questão de compreender, ouvir, mas também de dizer às pessoas que estamos a resolver o problema. Se durante dez anos não construímos casas, alguém - a falar a verdade - consegue dizer que as casas estão prontas amanhã?"

Montenegro apontou também que o Governo tem a expetativa de que as casas venham a ser construídas, mas referiu que isso não seria possível 'num estalar de dedos'. "E não consigo recuperar dez anos de investimento em dez meses. Não consigo", adiantou.

Quanto ao diálogo com os partidos, Montenegro deixou críticas, referindo que o Governo, sim, estava "disponível e aberto" para o diálogo político, mas que era preciso haver cedências de outras partes: "Mas, aí, também temos de falar verdade. Todos têm palavras de grande consideração pelo diálogo, todos estão disponíveis. Todos estão sempre muito abertos a isso. E depois, quando vamos discutir políticas completas, quase nenhum abdica dos seus posicionamentos iniciais. Para haver abertura e disponibilidade, todos têm de ceder. O Governo tem sido o parceiro que mais tem cedido".

Cargas policiais em manifestações pela direito à habitação digna

Durante a madrugada de domingo, a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.

Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.

Segundo a PSP, registaram-se, no total, 33 feridos e 33 detidos por desobediência. Em comunicado, as organizações das acampadas referiam dezenas de feridos.

A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um processo na sequência das intervenções policiais e a provedora de Justiça pediu à PSP, com caráter de urgência, informações relativas à carga policial sobre os manifestantes.

Em resposta, milhares de pessoas juntaram-se no Rossio no domingo ao final do dia, com o lema "Mais casas, menos bastão!".

Já na terça-feira, milhares de manifestantes encheram ao final do dia a rua de São Bento, frente à Assembleia da República, em Lisboa, pelo direito à habitação, no dia em que começou no parlamento a discussão na generalidade da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).

Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.

De acordo com os mais recentes dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o preço das casas no país subiu 18% para 2.445 euros/m2 no 2.º trimestre deste ano, face ao mesmo período do ano passado, e aumentou 4,6% comparativamente aos primeiros três meses deste ano.

[Notícia atualizada às 18h55]

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