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Teresa Faleiro saiu à rua em Lisboa aos 81 anos: "Estou a ser despejada"

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Minuto Fonte Externa
17 de outubro de 2026 • 5 min de leitura
Teresa Faleiro saiu à rua em Lisboa aos 81 anos: "Estou a ser despejada"

Maria Teresa Faleiro segura com as duas mãos um cartaz de cartão para denunciar: "Tenho 81 anos e estou a ser despejada". Juntou-se à manifestação da CGTP em Lisboa contra o custo de vida para deixar um alerta pessoal e coletivo.

 

De camisa preta, calças brancas, óculos escuros e um chapéu azul e verde para se proteger do sol, a inquilina elege a habitação como o maior problema de política pública em Portugal e expõe o seu caso pessoal como exemplo do que afirma.

"Houve um julgamento e a juíza deu 30 dias para abandonar a casa. Vou tentar recorrer, mas não tenho esperança nenhuma", lamenta, em declarações à Lusa durante o desfile da central sindical.

A reformada mora em Lisboa há seis décadas. Os últimos 22 anos foram passados na mesma habitação, na Calçada de Santana, freguesia de Arroios. Aos 81 anos, afirma estar em risco de perder a casa, porque os senhorios não querem renovar o contrato.

A inquilina paga 724 euros e 11 cêntimos de renda por mês e afirma que sempre pagou as rendas. O problema, diz, decorre do fim do contrato.

Há cinco anos que tenta evitar este desfecho. Entretanto, os proprietários colocaram uma ação judicial contra si e a decisão do tribunal chegou há poucas semanas. Questionada sobre se a juíza entendeu que havia motivo para sair, a inquilina explica que sim. "Tenho de sair no dia 06 de novembro", situa.

A inquilina não tem uma alternativa e diz-se desesperançada. "Os meus amigos apoiam-me. Mas não há casas, não há nada", diz.

Falando da sua situação e a de outros, desconhecidos e de diferentes idades, que seguem no desfile da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), Teresa Faleiro afirma: "Os velhos não têm proteção alguma. Este país não é para velhos".

O seu caso sintetiza uma parte das duas horas e meia das manifestações nacionais da central sindical contra o aumento do custo de vida, que decorreram hoje em Lisboa, Porto e Coimbra.

Na capital, ouviram-se reivindicações por melhores salários, melhores pensões, melhores serviços públicos e uma resposta à subida do custo de vida e pelo direito à habitação, de forma cruzada com a recente onda de protestos no Porto.

O desfile partiu do Cais de Sodré em direção à Praça do Rossio, para onde estava marcada uma acampada ao final da tarde sob o mote "Não dá mais? Então monta a tua tenda!".

Nessa direção seguia Joana Bogalho, acompanhada do marido e da filha, de seis anos, às cavalitas do pai.

Supervisora num 'contact center', Bogalho tem 40 anos, metade da idade de Teresa Faleiro, casa própria e o que diz ser um vencimento superior à média, mas veio à manifestação em família porque sente que a vida está a piorar.

"Apesar de ganharmos um salário acima da média, o custo de vida aumentou tanto que temos menos poder de compra do que antes com salários melhores", explica.

"Felizmente temos casa própria e não sentimos o flagelo do arrendamento, mas os empréstimos estão a aumentar muito – a juntar ao aumento dos combustíveis, da comida...", elenca, acrescentando a situação na saúde como fator de descontentamento.

"Não sentimos que os impostos que pagamos nos dão o retorno de que necessitamos como cidadãos", critica.

Nalguns dos cartazes dos manifestantes liam-se críticas diretas ao Governo, especificamente ao primeiro-ministro, outras centrando-se no problema da habitação, na saúde ou na educação, ou ainda no caso Spinumviva, que levou à queda do primeiro executivo de Luís Montenegro.

"Que saudades que eu já tinha da minha alegre tendinha, tão modesta quanto eu", "Gostava de saber em que planeta vive o primeiro-ministro", "Nem egoísmo nem Spinumvívico", "Não sejas egoísta, Montenegro, há quem não tenha teto", "Já não consigo alimentar a minha família", "O governo não pode dar educação, porque educação derruba o governo", lia-se nalguns cartazes.

Vasco Carmo, de 21 anos, estudante do terceiro ano de História, faz uma ponte entre a manifestação de hoje e a carga policial ocorrida na madrugada de quinta-feira no Porto, contra manifestantes que acamparam na Praça D. João I pelo direito à habitação.

"Sentimo-nos todos indignados no sentido em que, como disse Helena Roseta, o nosso dever cívico não é apenas deitar votos numa caixa quatro em quatro anos, é protestar quando é necessário, é vir às ruas quando é necessário, é fazer o que é necessário", salienta.

"A questão da habitação mobiliza imenso. Todos nós, jovens que estamos cá, sendo até privilegiados, de classe média, não temos qualquer tipo de hipótese de integrar uma casa neste momento, para criar qualquer tipo de vida neste país", lamenta, dizendo que está a pensar em emigrar.

A manifestação terminou com um discurso do secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, num palco montado na praça do Rossio, onde o tema da habitação também esteve presente.

"Hoje lutamos em defesa da segurança social. Hoje lutamos pelo direito à habitação. Hoje lutamos pela elevação dos direitos de quem trabalha e por melhores salários e pensões", disse.

O líder sindical reivindicou um aumento geral dos salários em 15% e a subida do salário mínimo para 1.100 euros em 2017, bem como uma descida dos impostos "para quem trabalha" e, em contrapartida, um agravamento para "para quem mais tem".

Manifestantes montam tendas e enchem Rossio com cartazes contra o Governo

A 'acampada' pela habitação arrancou hoje, pouco depois das 17h00, no Rossio, em Lisboa, com os manifestantes a encher praça com cartazes contra o Governo e a montar várias tendas.

Lusa | 18:53 - 17/10/2026

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