Tribunal turco julga Netanyahu à revelia por intercetar flotilha
Um tribunal na Turquia iniciou hoje o julgamento à revelia de 35 dirigentes israelitas, incluindo o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, pela interceção da Flotilha Global Sumud, que tentou chegar a Gaza em 2025.
O processo decorre no Tribunal Penal Superior de Istambul e envolve acusações de crimes contra a humanidade, genocídio, privação ilegal de liberdade, tortura, danos materiais e sequestro ou retenção de meios de transporte.
A Procuradoria turca pede penas de prisão perpétua agravada e condenações acumuladas que podem atingir quase 4.600 anos de prisão para cada um dos acusados.
Além de Netanyahu, figuram entre os arguidos o ministro da Segurança Nacional israelita, Itamar Ben-Gvir, o ministro da Defesa, Israel Katz, e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Eyal Zamir.
Segundo a acusação, a interceção de embarcações civis em águas internacionais não pode ser considerada uma simples operação de segurança, tendo em conta as circunstâncias em que ocorreu.
Os procuradores turcos alegam que os responsáveis israelitas envolvidos na operação militar ocupavam diferentes cargos no aparelho de Estado e atuaram de forma coordenada, planeada e sistemática.
A Flotilha Global Sumud, composta por dezenas de embarcações com centenas de ativistas internacionais, incluindo portugueses, procurou chegar a Gaza para entregar ajuda humanitária e desafiar o bloqueio marítimo imposto por Israel ao enclave palestiniano.
Em outubro de 2025, as forças israelitas intercetaram os navios e detiveram centenas de participantes, incluindo numerosos cidadãos turcos, que foram transportados para território israelita.
Os ativistas foram posteriormente libertados e repatriados, tendo alguns denunciado alegados maus-tratos durante a detenção.
Israel mantém há quase duas décadas um bloqueio marítimo, terrestre e aéreo ao enclave de Gaza, enquanto o Egito também impõe restrições à circulação através da sua fronteira com o território palestiniano.
O processo judicial surge num contexto de fortes tensões diplomáticas entre a Turquia e Israel, agravadas pela ofensiva militar israelita na Faixa de Gaza, iniciada em outubro de 2023, na sequência dos ataques do grupo extremista Hamas em solo israelita.
O Governo turco, liderado pelo Presidente Recep Tayyip Erdogan, tem sido um dos mais críticos das operações militares israelitas no território palestiniano, mantendo simultaneamente contactos políticos com dirigentes do movimento islamita Hamas.
A guerra em Gaza começou após os ataques do Hamas contra Israel, em 07 de outubro de 2023, que desencadearam uma ofensiva militar israelita durante a qual morreram mais de 74 mil pessoas no território palestiniano ao longo dos dois anos seguintes.
Um cessar-fogo está em vigor no enclave palestiniano desde 10 de outubro de 2025.
Israel e Hamas têm trocado acusações de violações da trégua desde então e os ataques israelitas têm sido quase diários, ao mesmo tempo que as negociações para as próximas etapas do processo de paz, num roteiro proposto pelos Estados Unidos, continuam num impasse.
Em maio de 2024, Ancara anunciou a suspensão oficial do comércio de mercadorias com Israel, interrompendo relações económicas que os dois países tinham mantido apesar de anteriores períodos de tensão diplomática.
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