Trump previa guerra de semanas. EUA admitem impasse por mais um ano
O embaixador norte-americano junto da ONU admitiu hoje que os Estados Unidos (EUA) poderão continuar, daqui a um ano, num impasse no conflito com o Irão, embora esteja esperançoso que, "antes disso", Teerão se sente à mesa para negociar.
Mike Waltz reconheceu ao jornal britânico Financial Times que Washington poderia continuar a enfrentar a estagnação das negociações de paz e a situação complexa, sem sinais de resolução, no estreito de Ormuz, a estratégica via de trânsito de petróleo e mercadorias bloqueada pelos iranianos.
"Não vou apresentar cenários hipotéticos. É de esperar que, antes disso, [os líderes iranianos] se sentem à mesa para negociar a sério", acrescentou o representante da administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, junto da ONU e ex-assessor do líder republicano sobre o conflito.
A guerra no Irão, iniciada com uma ofensiva conduzida pelos Estados Unidos e por Israel em 28 de fevereiro, está quase a completar oito meses.
Perante esta possibilidade, Waltz insistiu que "o Presidente e a Marinha dos Estados Unidos podem manter o bloqueio [aos portos e costas iranianos] num futuro previsível" e recordou que a administração Trump está a intensificar uma campanha de sanções económicas que visa cortar as vias de financiamento de Teerão.
As declarações do embaixador coincidem com relatos de que os Estados Unidos e Israel estarão a preparar uma nova ofensiva militar contra o Irão para depois das eleições intercalares norte-americanas de 03 de novembro, segundo noticiou esta semana o The New York Times.
De acordo com o jornal, os dois países estão a trabalhar numa operação breve e intensa que poderá incluir ataques contra instalações nucleares, arsenais de mísseis e drones, bem como contra as infraestruturas energéticas iranianas.
A guerra no Irão, que Trump inicialmente garantiu que duraria entre "quatro e cinco semanas", tornou-se muito impopular entre os norte-americanos, fez disparar os preços dos combustíveis e interrompeu cadeias de abastecimento vitais.
Em setembro, o líder republicano acusou Teerão de prolongar o conflito até novembro para o prejudicar politicamente numa eleição em que o seu partido tem em jogo o controlo das duas câmaras do Congresso norte-americano.
O Irão e os Estados Unidos mantêm um impasse pelo controlo de Ormuz, por onde transitavam 20% do petróleo mundial antes da guerra.
No entanto, os Estados Unidos conseguiram restabelecer parte do tráfego marítimo através do estreito, ao longo de uma rota meridional próxima de Omã.
Washington aplicou também uma guerra económica contra Teerão após a suspensão de ataques, que visa isolar a República Islâmica através de sanções a indivíduos e entidades que estabeleçam relações comerciais com o país.
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