Tusk diz que Polónia não pode ser utilizada para ações militares
O primeiro-ministro polaco defendeu hoje que não é permitido utilizar o território do país para lançar operações militares sem o consentimento das autoridades, após um drone ucraniano proveniente da Polónia ter explodido na Lituânia.
Donald Tusk informou que as autoridades polacas estão a colaborar estreitamente com o Governo lituano para esclarecer o que aconteceu no domingo, perto da fronteira entre a Lituânia e a Letónia, quando um drone, que fazia parte de um enxame cujo alvo era a cidade russa de São Petersburgo, violou o espaço aéreo lituano.
"Vou exigir uma explicação completa", afirmou Tusk, que confirmou que o referido drone chegou à Lituânia proveniente da Polónia, embora tenha sublinhado que Varsóvia "não permite que sejam realizadas operações no seu território sem o consentimento expresso do Estado polaco", segundo a agência polaca PAP.
Na madrugada de domingo, o exército ucraniano lançou um ataque com drones contra a cidade russa de São Petersburgo.
Entre os alvos encontravam-se uma refinaria de petróleo, um centro de dados da rede social russa VK e instalações da Ozon, uma das maiores plataformas de comércio eletrónico do país.
As autoridades locais russas afirmaram ter abatido cerca de 150 drones.
No entanto, um dos projéteis entrou no espaço aéreo lituano, provocando um alerta vermelho em Siauliai e Panevezys, e um alerta amarelo em Kaunas.
Por fim, os destroços — que se acredita que se possam ter autodestruído — foram encontrados na localidade de Juodzionys.
Foram registados alguns danos materiais e danos em veículos, mas não se registaram feridos nem mortos.
O incidente levou à descolagem de caças da NATO e o primeiro-ministro lituano, Mindaugas Sinkevicius, afirmou que deve ser avaliada a possibilidade de um ato de sabotagem, segundo a LRT.
No mesmo dia do incidente com os drones, Sinkevicius acusou a Rússia de uma tentativa de fogo posto contra uma empresa lituana que alberga equipamento de comunicação por satélite da Starlink.
O incidente ocorreu na madrugada de domingo cerca das 02:00 locais (23:00 de sábado em Lisboa), tendo sido encontrados líquidos inflamáveis nas instalações da empresa, que acolhe antenas de satélite e uma unidade de controlo, explicou Sinkevicius, em declarações à televisão pública LRT.
"Tratou-se claramente de uma tentativa de ato de sabotagem ou de diversão, uma vez que observamos ações semelhantes a repetirem-se por toda a Europa. É evidente que (...) isto faz parte da guerra híbrida movida pela Rússia, que envolve atos de sabotagem", afirmou Mindaugas Sinkevicius.
"Saberemos mais sobre quem deu a ordem, como aconteceu e quem a transmitiu. É provável que o autor moral já tenha sido identificado à partida: trata-se da parte russa", acrescentou.
Em setembro, uma estação de satélite da Starlink localizada no centro da Polónia foi incendiada, tendo Varsóvia afirmado tratar-se de um "ato de sabotagem" deliberado.
O exército ucraniano depende das comunicações Starlink no combate à invasão russa.
Washington terá reduzido, no início do mês, a largura de banda da versão militar da rede Starlink na Ucrânia, gerando críticas na Europa e em Kiev.
Leia Também: Lituânia acusa Rússia de tentativa de ataque a equipamentos da Starlink
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